quarta-feira, 13 de julho de 2016

Gilberto Kassab, PhD em Política Tradicional

Olá leitor!

Trago agora para você um artigo publicado na edição de junho/julho do “Jornal do SindCT”, destacando que o novo Ministro da C&T, Gilberto Kassab, é PHD em política tradicional.

Duda Falcão

CIÊNCIA & TECNOLOGIA

Gilberto Kassab, PhD em Política Tradicional

Antônio Biondi e
Napoleão Almeida
Jornal do SindCT
Edição nº 48
Junho/ Julho de 2016

Davidovitch (esq.) e Kassab em audiência na Câmara dos Deputados.

O retrocesso que levou Gilberto Kassab (PSD) a um ministério em cujos assuntos não passa de um curioso só se explica pelas ótimas costuras políticas obtidas pelo paulistano ao longo da carreira. Formado em engenharia civil e em economia, Kassab foi corretor de imóveis antes de se destacar na política, a partir do apoio ao então presidente da Associação Comercial de São Paulo, Afif Domingos, na corrida ao Planalto em 1989. Depois passou a administrar a Secretaria de Planejamento da Prefeitura de São Paulo (governo Celso Pitta), tornou-se vice-prefeito de José Serra na capital paulista, assumiu a Prefeitura com a saída do então prefeito (que renunciou ao cargo para disputar o governo estadual), reelegeu--se. Deixou o DEM (ex-PFL) para criar seu próprio partido, o PSD (“nem de esquerda, nem de direita, nem de centro”), e assumiu o Ministério das Cidades de Dilma Rousseff.

No MCTIC, porém, Kassab assemelha-se a um estranho no ninho. Ele não é um homem de ciência, tampouco de tecnologia e inovação. Como deputado federal, quando tentou se aventurar no segmento, teve quatro proposições arquivadas, como a criação do Índice Brasileiro de Inclusão Digital, para medir o grau de inclusão do brasileiro. Na mesma época acabou envolvido em uma apreensão de US$ 130 mil feita pela Polícia Rodoviária de São Paulo, quantia que estava de posse de um investigador de Polícia Civil, que alegou que o dinheiro pertencia ao então deputado. Não é o único caso.

Enquanto prefeito de São Paulo, viu sua administração ser acusada de desvios de quase R$ 500 milhões dos cofres da cidade, nas investigações do escândalo que ficou conhecido como “Máfia dos Fiscais”. Desde seu primeiro cargo público até sua candidatura ao Senado por São Paulo, seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral cresceu de R$ 102 mil para R$ 6,5 milhões, dados obtidos em 2014. Tinha 42% de reprovação quando deixou a Prefeitura.

Por isso é que nomes como Miguel Nicolelis e Luiz Davidovich reagiram tão mal, não só à fusão com ministério das Comunicações, mas também à indicação de Kassab para a pasta. “Queremos um ministério íntegro para continuar a organizar a pesquisa e a ciência nesse País”, suplicou Davidovich. No último encontro entre Kassab e os pesquisadores da ABC, o novo ministro reconheceu que a ciência teve redução na sua prioridade.

A reativação do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e a promessa de que irá brigar para conseguir 2% do PIB para o ministério foram jogadas inteligentes para acalmar o segmento. Porém nem todos os primeiros passos foram 100% prudentes. A escolha de Vanda Jugurtha Bonna Nogueira para o setor de Outorgas de Rádio e TV da nova pasta caiu como uma bomba na imagem de lisura que Kassab tenta passar.

Vanda Nogueira é advogada de diversas emissoras ligadas às TVs Globo, Record e SBT — e ficará encarregada de supervisionar a regulamentação dos serviços de radiodifusão, escancarando uma relação de conflito de interesses. A comunicação do MCTIC afirmou que ela havia se retirado da iniciativa privada, mas não apresentou documentação. Nomeada em junho, Vanda já despachava desde maio no gabinete, fato revelado pelo jornal Folha de
S. Paulo. (AB e NA)


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 48ª – Junho/Julho de 2016

Comentário: Pois é, se essas informações sobre a trajetória política do Ministro Kassab tiverem realmente veracidade, comprovam o que eu venho dizendo há tempos, ou seja, o único partido existente neste país é o PVN, (Partido do Venha Nós). Lamentável!

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