segunda-feira, 27 de junho de 2016

Cientistas do INPE Ajudam Pesquisa Sobre as 'Ondas'

Olá leitor!

Segue abaixo mais uma notícia, esta postada dia (25/06) no site do jornal “O VALE”, tendo como destaque a participação do Instituto nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) na pesquisa internacional das “Ondas Gravitacionais”.

Duda Falcão

REGIÃO

Cientistas do INPE Ajudam
Pesquisa Sobre as 'Ondas'

Xandu Alves
São José dos Campos
25 de junho de 2016 - 15:15


Seis pesquisadores do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José, estão na linha de frente do que pode vir a ser o limiar de uma nova era para a física e a tecnologia humana.

A descoberta da qual eles participaram, ao lado de pesquisadores de todo o mundo, deverá render um prêmio Nobel aos três principais cientistas do projeto. Trata-se da detecção de ondas gravitacionais, fenômeno previsto pelo físico Albert Einstein há 100 anos mas que nunca havia sido observado.

Liderados pelo engenheiro eletrônico Odylio Aguiar, da Divisão de Astrofísica do INPE, os pesquisadores Marcos Okada, César Augusto Costa, Márcio Constâncio Jr, Elvis Ferreira e Allan Douglas Silva colocaram o nome na história da ciência.

Para Aguiar, a detecção de ondas gravitacionais no universo equivale à descoberta de ondas eletromagnéticas, comprovadas em laboratório pelo físico alemão Heinrich Hertz, em 1887.

As ondas eletromagnéticas permitiram, por exemplo, o desenvolvimento da transmissão por TV e rádio, os aparelhos celulares, o microondas e o raio-x. "Essas informações novas vão enriquecer enormemente o conhecimento que temos do universo", disse.

"Essa nova física vai revolucionar também as invenções. Poderemos aprender o controle da gravidade, de como fazer um veículo levitar."

Propulsão

O estudo das ondas gravitacionais poderá dar à ciência a capacidade de criar uma nova forma de propulsão, o que expandiria enormemente a investigação do universo e os meios de transporte na Terra.

Aguiar também lista dois fenômenos que as ondas permitirão ao homem aprender mais: os buracos negros e as estrelas de nêutron, cujo corpo traz matéria nuclear. "Vamos aprender muito sobre a relação entre a mecânica quântica [teoria do microcosmos] e a gravidade, que Einstein queria", disse o cientista.

Detector

A equipe de Aguiar faz parte do consórcio de cientistas que trabalha com o Observatório de Onda Gravitacional por Interferômetro Laser (Ligo, na sigla em inglês), sediado nos Estados Unidos.

Proposto em 1989 e aprovado pela Fundação de Ciências Americana em 1992, o Ligo ganhou a colaboração do Inpe em 2011, embora o pesquisador Cesar Costa tenha trabalhado nele em 2008 e Aguiar se envolva com esse tipo de pesquisa desde 1981.  "Para mim, é muito gratificante, porque foi um esforço grande que fiz todos esses anos e vejo coroado com essa detecção, de participar do grupo", afirmou.

Frequências Auxiliam a 'Escutar' o Universo

Para entender o que são ondas gravitacionais, Odylio Aguiar faz uma analogia com uma cama de borracha. Ao jogar uma bola de boliche no centro dela, esta deformará o espaço ao redor, pelo seu peso, e atrairá para si bolas menores na borda da cama.

"As ondas gravitacionais são curvaturas do espaço-tempo se mexendo. É como imaginar jogar uma pedra no lago e aquelas ondas que se propagam", disse ele. O espaço-tempo acaba sendo uma espécie de meio, segundo o cientista.

"Gostamos de dizer que estamos ouvindo o universo. Embora ele não tenha ar para propagar o som, ele propaga as ondas nesse meio diferente, um espaço-tempo que está em todo lugar". E deu mesmo para "ouvir o universo".

"As frequências medidas no Ligo são ondas sonoras. Pode pegar o sinal, colocar no alto-falante e ouvir. Estão na frequência certa do ouvido".

Sinal Veio de Buraco Negro no Espaço

O sinal detectado pelo Ligo veio de buracos negros que se chocaram no espaço. No primeiro sinal, eles eram 29 e 36 vezes maiores do que o Sol. No segundo, 8 e 14 vezes. Ao se encontrarem, há bilhões de anos, eles perderam massa e dispersaram ondas gravitacionais, que viajaram pelo universo. Elas foram detectadas agora, depois de teorizadas por Albert Einstein há 100 anos.


Fonte: Site do Jornal “O VALE” - 25/06/2016

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