terça-feira, 17 de maio de 2016

Conheça o CRSEA do Instituto Federal Fluminense (IFF) e Seus projetos Espaciais

Olá leitor!

Enquanto ainda aguardamos por notícias sobre as ‘expectativas’ para o ano de 2016 a cerca de nosso “Patinho Feio”, mais precisamente sobre a tal “Operação Rio Verde” (lançamento de um foguete VSB-30 para atender ao Programa Microgravidade da AEB) e os lançamentos do picosatélite Trancredo-1 e dos nanossatélites ITASAT-1, NanosatC-Br2 e 14BISat, resolvi escrever hoje este artigo sobre uma das boas iniciativas em curso no Brasil, ou seja, as atividades espaciais do “Centro de Referencia em Sistemas Embarcados e Aeroespaciais (CRSEA)” do Instituto Federal Fluminense (IFF) do campus de Campos dos Goytacazes-RJ, sob a coordenação do Prof. Cedric Salloto, já entrevistado aqui no Blog em julho de 2014 (veja aqui).


Mais conhecido pelo desenvolvimento do nanosatélite 14BISat para a tal Missão Multinacional QB50, o CRSEA iniciou as suas atividades em 2013, com o apoio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (SETEC/MEC) e da Agencia Espacial Brasileira (AEB).

No entanto, antes mesmo de criação do CRSEA, o Prof. Cedric Salloto e seus alunos já haviam desenvolvidos dois projetos muitos interessantes, ou seja, o primeiro foi o projeto de um foguete de sondagem meteorológica e o segundo um projeto aeronáutico de um Quadricóptero (um VANTAR – Veículo Aéreo Não Tripulado de Asas Rotativas), este exibido com sucesso durante a realização da “VII Olimpíada do Conhecimento”, evento este que foi realizado no Anhembi em São Paulo-SP em novembro de 2012, e que é reconhecido como o maior torneio de ocupação profissional das Américas realizado anualmente pelo SENAI/SESI.

Lançamento do Foguete de Sondagem Meteorológica 

O Quadricóptero na “VII Olimpíada do Conhecimento” em 2012

Com a criação do CRSEA em 2013, as atividades espaciais coordenadas pelo Prof. Cedric Salloto se ampliaram significativamente, e hoje envolve o desenvolvimento dos seguintes projetos:

Nanosatélite 14BISat:  O  14-BISat é um nanosatélite do tipo 2U que esta sendo desenvolvido em parceria com a empresa TEKEVER S/A e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), ambas de Portugal, para assim compor a Constelação QB50.

O 14-BISat que está previsto para ser lançado em duas etapas (a primeira através do foguete Antares 230 em dezembro deste ano, e a segunda da Estação Espacial Internacional em data ainda a ser definida) levará a bordo diversos sistemas que serão testados em órbita. O sensor oficial da Missão QB50 será o FIPEX, que é destinado a medir a concentração de oxigênio atômico e de oxigênio molecular.

Já o sistema GAMALINK, que fará nesta missão o 14-BISat um dos hosts da rede espacial de comunicação entre satélites (ISL) e a Terra, é um experimento que se baseia na rede Ad hoc (SASNET) desenvolvido com Rádios Definidos por Software (SDR).

Vale lembrar que o nome 14-BISat foi dado em homenagem ao primeiro avião a voar com motor próprio desenvolvido pelo inventor brasileiro Santos Dumont em 1906, homenagem esta certamente mais que merecida.

Concepção Artística no Nanosatélite 14-BISat.

Projeto RIBRAS: A “Rede Integrada Brasileira de Rastreamento de Satélites (RIBRAS)” que é um projeto financiado pela AEB e apoiada pela SETEC/MEC, será um sistema de comunicação com finalidades educacionais e científicas que funcionará integrado pela Internet, sendo que as suas Ground Stations (Estações de Rastreamento) poderão trabalhar em modo autônomo ou manual. A configuração de cada estação desta Rede de Rastreamento de Satélites será baseada em dois sistemas independentes, um operando em VHF/UHF e o outro em Banda S.

Para tanto o RIBRAS Inclui no projeto a integração das estações e torres, bem como o desenvolvimento de softwares de tracking, automação e controle, e de orquestração otimizada da rede, sendo que com apoio da AEB, diversas estações serão implantadas no IFF, IFMT, IFBA (olha a Bahia aí gente), IFMA, IFRR, IFAC, UFABC, UFMG, UFSC e UnB. Estas estações terrestres serão compostas por duas torres, sendo que uma delas contendo duas antenas (VHF e UHV) e a outra contendo uma antena de Banda S.

O sistema desenvolvido prevê a orquestração das estações interligadas por VPN própria permitindo o rastreamento dos satélites de forma automatizada com uso de algoritmo desenvolvido pelo CRSEA.

Utilizando como base o cadastro das TLEs dos satélites, o orquestrador "decidirá" então qual é a melhor estação para o rastreamento e envia automaticamente via rede à tarefa de rastrear o satélite que, ao sair da visada da estação terá o tracking feito por outra estação terrestre adjacente.

O sistema está sendo desenvolvido para operações com orquestração (estações em conjunto operadas de forma automática) ou standalone, sendo que o projeto e implementação dos sistemas elétricos, eletrônicos, mecânicos e de software foram implementados por alunos e pesquisadores.

Concepção Artística de uma Estação de Rastreamento
de Satélites do Projeto RIBRAS.

Projeto TVC: Consiste num projeto de desenvolvimento de uma “Câmara Termo-Vácuo (TVC)” para teste de componentes em condições de ambiente espacial, tendo controle de temperatura independente em seis placas internas variando de -40 a 75 graus Celsius e alto vácuo.

“Câmara Termo-Vácuo (TVC)” do CRSEA.

Projeto CoBAMP: Consiste no desenvolvimento de um “Computador de Bordo Aeroespacial Multipropósito (CoBAMP), voltado para aplicações em microssatélites, plataformas suborbitais de microgravidade, foguetes de sondagem etc, projeto este que é financiado pelo CNPq, e está sendo desenvolvido em parceria com a empresa brasileira Orbital Engenharia.

Projeto SERPENS: Consiste num projeto denominado de “Sistema Espacial para Realização de Pesquisas e Experimentos com Nanossatélites (SERPENS)” patrocinado pela AEB e que teve já lançado o seu primeiro satélite em órbita, onde o CRSEA teve participação através da RIBRAS, provendo design de componentes mecânicos para testes e Plataforma de Coleta de Dados (PCD).

Esse projeto tem o objetivo de fomentar as iniciativas de construção de nanossatélites no Brasil, permitindo qualificar engenheiros, estudantes, docentes e pesquisadores brasileiros vinculados aos cursos de Engenharia Aeroespacial para a produção e desenvolvimento de satélites de pequeno porte e baixo custo.

Projeto de Monitoramento Ambiental: Este projeto consiste no desenvolvimento de tecnologias para instrumentação e monitoramento ambiental, bem como de parâmetros geoquímicos, como bóia de deriva, equipamentos tipo bell-jar, sistema microcontrolador de preparação de amostras para análises e redes APRS.

Pois é leitor o CRSEA é hoje uma realidade bastante interessante fruto da iniciativa e dedicação dos Profs. Cedric Salloto e Rogério Atem, este também coordenador do Núcleo de Pesquisa em Sistema de Informação (NSI) do Instituto Federal Fluminense (IFF). O CRSEA é hoje formado pelos seguintes membros:

* Prof. Cedric Salloto - Coordenador - Pesquisador Campus Campos Centro – IFF.

* Prof. Rogerio Atem - Coordenador Adjunto - Pesquisador Campus Campos Centro – IFF.

* William Vianna - Pesquisador Campus Campos Centro – IFF.

* Gustavo Moura - Pesquisador Campus Campos Centro – IFF.

* Fernando Carvalho - Pesquisador Campus Campos Centro – IFF.

* Fabio Duncan - Pesquisador Campus Campos Centro – IFF.

* Renato - Pesquisador Campus Quissamã – IFF.

* Lucas Rodrigues - Técnico em Informática e Bacharel em Sistemas de Informação. Mestrando em Sistemas Aplicados à Engenharia e Gestão - Bolsista CRSEA.

* Lucas Hissa - Técnico em Informática. Bacharel em Sistemas de Informação. Mestrando em Sistemas Aplicados à Engenharia e Gestão - Bolsista CRSEA.

* Gabriel Coimbra - Pesquisador Externo Convidado - Gigacom.

* William Oliveria - Graduando em Engenharia de Controle e Automação - Bolsista CRSEA.

* Sara Monteiros - Técnica em Automação. Graduanda em Engenharia de Computação - Bolsista CRSEA.

* Milena Azevedo - Graduanda em Engenharia de Controle e Automação - Bolsista CRSEA.

* Danielli Carvalho - Técnica em Eletrotécnica. Graduanda em Engenharia de Controle e Automação - Bolsista CRSEA.

* Matheus Macabu - Graduando em Engenharia de Controle e Automação - Bolsista CRSEA.

* Iago Pessanha - Graduando em Engenharia de Computação - Bolsista CRSEA.

* Galba Arueira - Técnico em Informática - Bolsista CRSEA.

* Leonardo Souza - Técnico em Mecânica. Graduando em Engenharia de Controle e Automação - Bolsista CRSEA.

* Benedito Neto - Técnico em Mecânica. Graduando em Engenharia de Controle e Automação - Bolsista CRSEA.

Para maiores informações e contatos leitor acesse o site do CRSEA pelo link: http://crseaiff.wix.com/site

Duda Falcão

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