sábado, 31 de outubro de 2015

Camarada, Vá Devagar Com Este Pulo

Olá leitor!

Segue abaixo uma hilária Charge enviada ao Blog pelo presidente do Centro de Experimental de Foguetes Aeroespacias da Bahia (CEFAB), ou seja, o Sr. Carlos Cássio Oliveira, Charge esta que creio eu seja de sua autoria.

Duda Falcão

CLA Testa Plataforma Suborbital Com o Lançamento de Foguetes

Olá leitor!

Segue uma interessante matéria publicada hoje (31/10) no jornal “O Estado do Maranhão”, dando destaque ao lançamento do Foguete FTI, ocorrido no dia de ontem (30/10) do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), como parte integrante das atividades da “Operação São Lourenço”.

Duda Falcão

GERAL

CLA Testa Plataforma Suborbital
Com o Lançamento de Foguetes

Operação realizada ontem à tarde foi considerada um sucesso;
atividade deu início a uma nova fase no Centro de Lançamento
de Alcântara e serviu para o treinamento operacional

O Estado do Maranhão
31/10/2015

Foto: Divulgação
O foguete foi lançado com sucesso ontem à tarde, em Alcântara.

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) lançou na tarde de ontem o 12º Foguete de Treinamento Intermediário (FTI), dando início à fase de lançamentos do projeto Satélite de Reentrada Atmosférica (SARA), uma plataforma suborbital destinada a realizar estudos e pesquisas em ambiente de microgravidade por até 10 dias.

O lançamento do foguete aconteceu às 13h50 e a altitude máxima em voo alcançada (apogeu) foi de 61 km. A operação foi considerada um sucesso, pois serviu também para o treinamento operacional das equipes do CLA.

O próximo lançamento acontecerá dia 11 de novembro e será do VS-40M V03 com a plataforma suborbital SARA, e nele será embarcada versão simplificada do Sistema de Navegação (SISNAV). Quando concluído, o SISNAV será usado no Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), foguete de fabricação nacional desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Também um GPS de aplicação espacial, em fase de qualificação, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), será embarcado no veículo a ser lançado do CLA.

A plataforma SARA, após cair em área marítima interditada, será recuperada pela Força Aérea Brasileira (FAB). Os pesquisadores analisarão dados obtidos em voo por antenas de telemetria como pré-requisito para a qualificação do projeto Sara. Tanto o foguete quanto o satélite de reentrada serão rastreados por radares ao longo da trajetória percorrida em voo.

Já o experimento da UFRN, que é um receptor GPS para aplicações espaciais, tem como função básica informar com precisão a posição e a velocidade de um foguete ou satélite no espaço. Sua principal inovação é a incorporação de certas características, principalmente de software, como a capacidade de funcionar em elevadas altitudes e em altas velocidades sem perder o sincronismo com o sinal recebido da constelação de satélites GPS. A fabricação, integração e testes do experimento são feitos atualmente pelo IAE.

ATIVIDADES

Operação no CLA

Os lançamentos são pontos altos da Operação São Lourenço, realizada pelo IAE de 22 deste mês a 13 de novembro, com apoio do CLA, de civis e militares do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), de esquadrões aéreos da FAB, DECEA, Marinha e Agência
Espacial Alemã (DLR).


Fonte: Jornal O Estado do Maranhão – pág. 05 - 31/10/2015

Comentário: Pronto leitor, segundo esta matéria do jornal “O Estado do Maranhão”, já está marcada a data de lançamento do SARA, ou seja, será no dia 11/11, fique atento. No entanto o mais intrigante desta matéria aparece na foto que acompanha a mesma. Quando no dia 29/10 noticiei (veja aqui) que o CLA iria lançar um Foguete FTI como parte integrante das atividades da campanha de lançamento da “Operação São Lourenço” (fiz de forma discreta na esperança de que nossos leitores fossem observadores e questionasse o Blog do que se tratava, coisa que infelizmente não aconteceu) disse também que este foguete teria abordo uma carga útil tecnológica, carga esta que é justamente esta parte bege/amarronzada abaixo do cone preto do foguete que aparece na foto. Chamamos a sua atenção? Pois é, acontece que não temos a mínima ideia do que seja esta carga útil o que coloca um manto de mistério sobre isto. Pode ser uma tecnologia secreta em desenvolvimento pelo IAE, ou até mesmo uma carga útil alemã, mas seja o que for, certamente foi tratada com grande discrição. Pelo que sabemos esta é a primeira vez que se coloca uma carga útil tecnológica ou científica abordo de um desses foguetes de treinamento, e talvez seja isto que o autor da matéria esteja querendo dizer com  a afirmação de que esta atividade deu início a uma nova fase no CLA, Será? Nos resta agora aguardar pelo lançamento do VS-40M/SARA Suborbital-1. Avante SARA. Aproveitamos para agradecer ao leitor maranhense Edvaldo Coqueiro pelo envio desta nova matéria.

Brasil Lança do CLA Foguete de Treinamento Intermediário

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada ontem (30/17) no site da “Agência Brasil” destacando que como já havíamos anunciado, foi lançado ontem (com sucesso) do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) um Foguete de Treinamento Intermediário (FTI), como parte integrante das atividades da “Operação São Lourenço”.

Duda Falcão

Pesquisa e Inovação

Brasil Lança Foguete de
Treinamento Intermediário

Tatiane Costa
Repórter da Agência Brasil/EBC
Edição: Fábio Massalli
São Luís, 30/10/2015 21h07

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) lançou hoje (30) o 12º Foguete de Treinamento Intermediário, dando início ao Projeto Satélite de Reentrada Atmosférica (Sara). O foguete, com 5,5 metros e meia tonelada, foi disparado às 14:50h (horário de Brasília).

Antes do lançamento do foguete, uma série de testes foi feita para garantir a segurança da operação. Os pesquisadores precisariam coletar informações como umidade, pressão e temperatura obtidos a partir do envio de um balão meteorológico para levantamento das condições climáticas na região. ''Esses dados são importante para se manter uma tomada de decisão efetiva para o lançamento dos engenhos aeroespaciais'', diz o tenente Marlon Gonçalves Figueiredo, chefe da meteorologia do CLA.

O lançamento de hoje é um treinamento para a etapa principal da Operação São Lourenço, que ocorre em novembro com o disparo do foguete VS40M-V03, que transportará o Sara, uma plataforma destinada a estudos e pesquisas em ambiente de microgravidade, ou seja, uma faixa da atmosfera fora da órbita da terrestre.

Com as informações coletadas pelo Sara será possível qualificar o sistema e permitir um novo lançamento para que a plataforma passe até dez dias em ambiente de microgravidade.

O VS40M-V03 levará também um GPS de aplicação espacial desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRB). O equipamento está em fase de teste e está sendo desenvolvido com o objetivo de informar com precisão a posição e a velocidade de um foguete ou satélite no espaço.

“Essas tecnologias têm vislumbramento para veículos futuros que colocarão satélites em órbitas, daí este experimento tem um retorno direto pra sociedade”, diz o coronel Cláudio Olany, diretor do centro.


Fonte: Site da Agência Brasil

Comentário: Pois é agora começam os preparativos para o lançamento do VS-40M da missão do SARA Suborbital 1. Avante SARA

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Barreira do Inferno Completa 50 Anos Com Lançamento de Foguete no RN

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada ontem (29/10) no site “G1” do globo.com destacando o lançamento de um Foguete de Treinamento Intermediário (FTI)  durante as comemorações pelos 50 anos do “Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI)” e como parte integrante das atividades do "V Fórum de Pesquisa e Inovação do CLBI" (rsrsrsrs, apesar da matéria não citar esse detalhe).

Duda Falcão

RIO GRANDE DO NORTE

Barreira do Inferno Completa 50 Anos
Com Lançamento de Foguete no RN

Foguete foi lançado para treinamento do sistema de operações e radares.
Barreira do Inferno já lançou três mil foguetes e realizou 600 operações.

Do G1 RN
29/10/2015 - 21h18
Atualizado em 29/10/2015 - 21h26

Um foguete com gostinho de 50 anos". Assim o coronel Maurício Lima de Alcântara descreveu mais um lançamento na tarde desta quinta-feira (29) na Barreira do Inferno, que completou cinco décadas no dia 12 de outubro.

O foguete, lançado para fins de treinamento do sistema de operações e radares, subiu 65 mil metros antes de atingir o mar. O trajeto da Barreira do Inferno até o mar durou quatro minutos. A trajetória foi calculada com uma precisão de três quilômetros para o local onde o foguete caiu.

A Barreira do Inferno informou que 19 foguetes foram lançados neste ano para pesquisa ou treinamento, como o desta quinta. Na história de 50 anos, a Barreira do Inferno já lançou três mil foguetes e realizou 600 operações.

O coronel Alcântara destaca que o objetivo é aumentar cada vez mais a função social, científica e educacional do local. Além da função de treinamento e pesquisa, a Barreira do Inferno, que fica em Parnamirim, na Grande Natal, atrai todos os anos milhares de turistas.


Fonte: Site “G1” do globo.com – 29/10/2015

Comentário: Bom leitor, não confunda o lançamento deste foguete FTI com o foguete FTI que deverá ser lançando no dia de hoje de Alcântara dentro das atividades da “Operação São Lourenço”. Posteriormente o Blog fará o relatório desta missão em Natal. Outra coisa, abordarei também um pouco mais sobre o "V Fórum de Pesquisa e Inovação do CLBI" em outra oportunidade.

CLA Participa da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em São Luís (MA)

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota publicada hoje (30/10) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), destacando que o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) participou da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) em São Luís (MA).

Duda Falcão

TECNOLOGIA

CLA Participa da Semana Nacional de
Ciência e Tecnologia em São Luís (MA)

Centro também recebeu o cientista Miguel Nicolelis, responsável pelo
exoesqueleto da abertura da Copa do Mundo, para uma palestra

CLA
Publicado: 30/10/2015 - 08:00h


Com o tema “Luz, Ciência e Vida”, a 12ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de São Luís (MA) contou com a participação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), organização militar da Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelo lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais. O evento foi realizado entre os dias 19 e 25 de outubro de 2015 na Praça Maria Aragão.

Ao longo da semana, o público presente pôde interagir com militares do Centro no estande montado na “Cidade da Ciência” para obter informações sobre as atividades do CLA, bem como do Programa Espacial Brasileiro e as formas de ingresso na FAB. Ainda no estande, os participantes da Semana de Ciência e Tecnologia puderam ver a exposição de uma maquete do foguete de treinamento FTB, veículo real em dimensões reais sem combustível; réplica do foguete suborbital VS-40 e do traje do astronauta Marcos Pontes, primeiro brasileiro a ir ao espaço durante a Missão Centenário, em março de 2006; além de miniaturas de outros engenhos espaciais.


Como parte da programação, o CLA recebeu, na última terça-feira (20/10), o médico e cientista Miguel Nicolelis, reconhecido internacionalmente por seus estudos em neurociência. O cientista coordenou a equipe responsável pelo exoesqueleto que foi destaque na abertura da Copa do Mundo em 2014. Na ocasião, Juliano Pinto, paraplégico, usou o equipamento para chutar uma bola de futebol por meio da máquina controlada por uma touca, que captou as atividades elétricas do cérebro.

Ainda dentro das atividades da Semana, o Diretor do CLA, Coronel Aviador Cláudio Olany Alencar de Oliveira, realizou uma apresentação no III Workshop de Engenharia Aeroespacial, no sábado (24/10), com o tema “A importância da Ciência, Tecnologia e Inovação na conquista da soberania no acesso ao Espaço”.

MULTIFeiras 2015

Entre os dias 15 e 17 de outubro de 2015, o CLA também participou da MULTIFeiras 2015, evento voltado para temáticas relacionadas à educação, saúde, tecnologia, indústria e comércio. No evento sob o tema, “Uma Viagem ao Espaço – A História do Homem no Espaço”, o Centro expôs ao público uma maquete do foguete nacional de maior sucesso, o VSB-30, já lançado 16 vezes na Suécia e três em Alcântara, além de outros projetos. Também foram convidados militares do efetivo para ministrar palestras durante a programação.


Fonte: Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Brasil e Itália Buscam Aprofundar Cooperação na Área Espacial

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada ontem (29/10) no site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) destacando que Brasil e Itália buscam aprofundar cooperação na Área Espacial e para tanto realizarão no dia 05/11, em Brasília, um Workshop Sobre a Cooperação Espacial Brasil-Itália .

Duda Falcão

Brasil e Itália Buscam Aprofundar
Cooperação na Área Espacial

Embaixador italiano teve audiência com o ministro Celso Pansera
para discutir detalhes de workshop sobre o tema. Titular
do MCTI destacou relevância da parceria para o País.

Por Ascom do MCTI
Publicação: 29/10/2015 | 15:38
Última modificação: 29/10/2015 | 15:56

Crédito: Ascom/MCTI
Ministro Celso Pansera recepcionou o embaixador
da da Itália, Raffaele Trombetta.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, recebeu na manhã desta quinta-feira (29) o embaixador da Itália no Brasil, Raffaele Trombetta. Além dos cumprimentos ao titular do MCTI, o representante italiano aproveitou a ocasião para delinear colaborações mais estreitas entre as nações na área espacial.

Na próxima quinta-feira (5), a Embaixada da Itália promove o Workshop sobre Cooperação Espacial Brasil-Itália. O evento vai discutir políticas e estratégias espaciais nacionais; programas científicos espaciais; dados de observação da Terra e aplicações; micro e pequenos satélites; e propulsão e lançadores. O ministro Pansera participará do encerramento do evento junto com o ministro italiano das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni. Também participam a Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTI), a Agência Espacial Italiana (ASI, na sigla em italiano), além de representantes da defesa, da indústria e de universidades.

"A visita do embaixador é fundamental. Nós teremos esse workshop na semana que vem. A questão da indústria espacial é um dos focos do ministério. Nós vamos apostar bastante nisso. E esse enlace entre o Brasil, a empresa aeroespacial italiana e a brasileira é importante nessa estratégia", destacou Celso Pansera.

Raffaele Trombetta lembrou que os países têm um histórico de cooperação no setor, notadamente por meio da Comissão Mista de Ciência e Tecnologia, que conta com representantes de ambos os lados. O encontro é anual e a última edição aconteceu em abril deste ano, em Brasília (DF).

"A colaboração entre a Itália e o Brasil no setor de ciência e tecnologia é muito positiva. Temos uma comissão mista que se reúne a cada ano. Já temos um futuro agora na semana que vem, com o seminário que estamos organizando, sobre o tema da colaboração espacial. O ministro Pansera, com o ministro italiano Paolo Gentiloni, vai encerrar o seminário exatamente sobre este tema", reforçou Trombetta.

De Longa Data

No campo espacial, Brasil e Itália têm compromissos firmados desde novembro de 2008, quando a AEB e a ASI firmaram Carta de Intenções para Exploração de Oportunidades para Cooperação no Espaço Nacional e Internacional em Tecnologias e Aplicações. O termo foi ratificado pelos então respectivos presidentes, Luiz Inácio Lula da Silva e Silvio Berlusconi, em abril de 2010, de modo a aprofundar a parceria.

Em outubro de 2013, foi assinado o Programa de Cooperação para a Formação de Recursos Humanos Qualificados na Área Espacial com os italianos, dentro da proposta do programa Ciência sem Fronteiras (CsF). Por meio deste termo, foram concedidas sete bolsas de estudos em instituições de ensino superior da Itália – uma de pós-doutorado e as outras seis de graduação sanduíche. No País, a Universidade de Brasília (UnB) tem três professores italianos concursados em seu curso de Engenharia Aeroespacial.

A parceria envolve ainda o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) com a Universidade de Padova , na área de efeitos da radiação em componentes eletrônicos. A cooperação é válida desde 2012 e as atividades seguem até hoje.

Workshop sobre Cooperação Espacial Brasil-Itália

Data: 5 de outubro de 2016 (quinta-feira)

Horário: 14h

Local: Sala Nervi da Embaixada da Itália, em Brasília (DF) – Setor de Embaixadas Sul – Avenida das Nações, Quadra 807, Lote 30

Programação

14h às 14h30: Inscrição de participantes

14h30 às 15h10: Intervenções do presidente da ASI, Roberto Battiston, e da AEB, José Raimundo Braga Coelho

15h10 às 15h50: Intervenções dos representantes do Ministério da Defesa da Itália e do Brasil

15h50 às 16h: Coffee Break

16h às 16h40: Intervenções dos presidentes da Finmeccnica, da Moretti e da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB)

16h40 às 17h10: Discussão aberta aos participantes para orientar as áreas de maior interesse para a cooperação espacial entre Brasil e Itália

17h10 às 17h30: Encerramento pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, e pelo ministro das Relações Exteriores da Itália, Paolo Gentiloni


Fonte: Site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Rússia é Atingida Por Novo Meteorito (Vídeo)

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada ontem (28/10) no site “Sputnik News” destacando que a Rússia foi novamente atingida por um meteorito.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Rússia é Atingida Por Novo Meteorito (Vídeo)

Sputnik News
28.10.2015 - 16:17
Atualizado 29.10.2015 - 07:41

© flickr.com/ Sandia Labs

Cientistas da Rússia afirmaram que mais um meteorito caiu no país na última semana. Dessa vez, no Lago Baikal, na Sibéria, segundo informou o canal de TV Zvezda nesta quarta-feira.

Embora o fragmento de corpo celeste tenha atingido a região no último dia 22, apenas hoje o Observatório Astronômico da Universidade de Irkutsk divulgou o seu relatório sobre episódio, discutido intensamente por habitantes locais, na internet, ao longo dos últimos dias.

"O pedaço de meteorito foi observado primeiramente à altura de 67,2 metros, mas, em seguida, foi rapidamente perdido de vista à altura de 62,1 metros", disseram os pesquisadores. 


De acordo com o observatório, o meteorito não teve muita força ao se aproximar da Terra, e a sua velocidade não excedeu os 13 km/s durante o seu choque contra o lago, a cerca de um quilômetro da costa, perto da aldeia de Bolshoe Goloustnoe.


Fonte: Site Sputniknews - http://br.sputniknews.com/

Comentário: E a natureza continua avisando. Uma hora a casa vai cair.

FAB Lança Foguetes no Maranhão Para Testar Plataforma Suborbital

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota publicada hoje (29/10) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), dando destaque aos próximos lançamentos do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão dos foguetes FTI e VS-40M da missão do SARA Suborbital 1.

Duda Falcão

ESPAÇO

FAB Lança Foguetes no Maranhão
Para Testar Plataforma Suborbital

Artefato permitirá experimentos de
Sistema de Navegação e GPS espacial

CLA
Publicado: 29/10/2015 - 18:00h


O lançamento do 12º Foguete de Treinamento Intermediário, nesta sexta-feira (30/10) à tarde, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), dá início à fase de teste do foguete VS-40M V03. Portador da plataforma suborbital SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica), o VS-40M V03 lançará também um GPS de aplicação espacial desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Esta é a primeira fase do projeto SARA, uma plataforma que realizará experimentos em ambiente de microgravidade por até dez dias. No primeiro lançamento do VS-40M V03, a cápsula conterá também a versão simplificada do Sistema de Navegação (SISNAV). Esse sistema, quando concluído, será usado no Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), principal foguete de fabricação nacional, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

A plataforma SARA, após cair em área marítima interditada, deverá ser recuperada por helicóptero. Os pesquisadores poderão analisar os dados obtidos no voo como pré-requisito para a qualificação do sistema, além de acessar dados obtidos por telemetria e radares.

O experimento da UFRN, que é um receptor GPS para aplicações espaciais, tem como função básica informar com precisão a posição e a velocidade de um foguete ou satélite no espaço. Sua principal inovação é a incorporação de certas características, principalmente de software, como a capacidade de funcionar em elevadas altitudes e em altas velocidades sem perder o sincronismo com o sinal recebido da constelação de satélites GPS. A fabricação, integração e testes do experimento são feitos atualmente pelo IAE. O GPS já obteve sucesso em diversos voos realizados no Brasil.


Operação São Lourenço - O lançamento do foguete de treinamento e do foguete suborbital VS-40M V03 são pontos altos da Operação São Lourenço, realizada pelo IAE de 23 de outubro a 13 de novembro, com apoio do CLA. A atividade conta com a participação de civis e militares do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), além de esquadrões aéreos da Força Aérea Brasileira (FAB), Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), Marinha do Brasil (MB), Agência Espacial Alemã (DLR), Instituto de Fomento Industrial (IFI) e do efetivo do Centro de Lançamento de Alcântara. 

A Operação São Lourenço faz parte do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e tem o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB).


Fonte: Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Comentário: Pois é leitor, através desta nota da FAB o leitor menos informado pode entender um pouco da importância desta missão para o nosso país, não só em relação aos objetivos a serem alcançados neste primeiro teste de voo da cápsula SARA Suborbital 1, mas também em relação as cargas uteis que acompanharão esta missão, e principalmente em relação a versão simplificada do Sistema de Navegação (SISNAV) do VLS-1, denominado na realidade de SISMI (Sistema de Medição Inercial – saiba mais aqui) que foi desenvolvido pelo IAE. Fica claro leitor e não precisa ser um gênio para imaginar que, diante das dificuldades o IAE visando recuperar o tempo perdido, na verdade encontrou uma forma de testar em voo uma versão simplificada do SISNAV, queimando etapas e diminuindo o tempo que normalmente levaria para o seu desenvolvimento. Ora, num universo como este onde impera incertezas inimagináveis e onde militam debiloides de carreira, como em nosso contexto local, obriga que esses pesquisadores sejam cada vez mais criativos, visionários, dinâmicos e que tenham boas ideias, só assim é possível alcançar algo. Portanto o Blog BRAZILIAN SPACE parabeniza ao IAE e aos seus pesquisadores.

Coordenador da CEA Destaca o Desmembramento do Satélite LATTES em Duas Missões

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante entrevista (por sinal bem esclarecedora em alguns pontos ainda desconhecidos pelo Blog) com o coordenador da área de Ciências Espaciais e Atmosféricas (CEA) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Dr. Oswaldo Duarte Miranda, publicada no número 03 do Informativo do INPE de 22/10, tendo como destaque o desmembramento do projeto do Satélite LATTES em duas missões de satélites menores entre outros assuntos. Esta é a primeira entrevista de uma série que abordará as ações no novo Plano Diretor do INPE. Vale a pena dar uma conferida.

Duda Falcão

Série de entrevistas aborda o novo Plano Diretor

Coordenador da CEA Destaca o
Desmembramento do Satélite
LATTES em Duas Missões

Informativo INPE
Número 03
22/10/2015

Coordenador da CEA, Dr. Oswaldo Miranda.
Em setembro do ano passado, as diversas áreas do INPE, sob a orientação da Coordenação de Planejamento Estratégico e Avaliação (CPA), iniciaram um processo de discussão sobre o futuro de suas atividades. O resultado desse esforço, que durou cerca de um ano, será divulgado em breve no Plano Diretor 2016-2019. A partir desta edição do INPE Informa, serão publicadas entrevistas com coordenadores do Instituto nas quais comentam como foram planejadas as atividades de suas áreas para esse período.

Para abrir a série de entrevistas, a preferência foi dada às Ciências Espaciais e Atmosféricas (CEA), que iniciaram as atividades do INPE no início dos anos 1960. Seu atual coordenador, Oswaldo Miranda, há mais de quatro anos no cargo, destacou a estratégia de se desenvolver projetos agregadores, reunindo competências entre as divisões da CEA e também entre estas e outras áreas do INPE.

Comentou também a implementação de um novo conceito de gestão e avaliação de projetos que a Coordenação vem utilizando nos últimos anos, gerando bons resultados não somente científicos e tecnológicos, mas também do ponto de vista administrativo.

Um dos pontos de maior mudança no planejamento da CEA, destaca Miranda, foi a reorientação da missão do satélite científico LATTES, desmembrado nos projetos EQUARS e MIRAX. Ele comenta ainda como essa readequação de missões irá reativar o Setor de Lançamento de Balões. Antes, porém, faz um balanço do período coberto pelo último Plano Diretor, que se encerra neste ano.

- Qual é a sua avaliação das atividades da CEA inseridas no Plano Diretor passado, que se encerra agora?

Oswaldo Miranda - De 2011 a 2015, conseguimos manter o foco na pesquisa básica, que é a nossa locomotiva. Tivemos um bom desenvolvimento de instrumentação de solo; conseguimos fechar o Brazilian Decimetric Array (BDA), o primeiro rádio interferômetro abaixo da linha do Equador destinado ao estudo do Sol. Não conheço outro instrumento do porte do BDA, para estudo do Sol, que esteja situado no Hemisfério Sul. Ele se aplica a obter parâmetros importantes tanto para o Programa de Clima Espacial como para a pesquisa básica, para o entendimento dos processos de geração de energia envolvidos com as erupções solares. Por outro lado, ele é um instrumento de banda larga e pode ser usado para estudo do espaço profundo e de objetos no contexto astrofísico. De dia será possível observar o Sol e de noite, outros objetos do Cosmos. Portanto, um marco que considero importante nesse período de 2011 e 2015, é o fechamento da fase de desenvolvimento do BDA.

Instalações do Brazilian Decimetric Array,
no INPE de Cachoeira Paulista.

O Plano Diretor anterior teve alguns pontos fracos nas metas propostas, porque a gente acabou acreditando que a instituição teria pernas para desenvolver instrumentação científica embarcada em plataformas orbitais, em satélites científicos. Colocamos no Plano Diretor anterior satélites de pequeno porte que não passaram de um estudo inicial porque não houve “pernas” suficientes nem dentro das Ciências Espaciais, nem dentro da Coordenação de Engenharia e Tecnologia Espacial do Instituto, a ETE. Isso foi algo que ficou a desejar, embora tenha tido algum sucesso para as atividades do CRS (Centro Regional Sul), no desenvolvimento de nanossatélites.

O Nanossat BR1 foi lançado e carregava um magnetômetro, um instrumento que teve a colaboração da Geofísica Espacial da CEA. A concepção do satélite LATTES foi um erro, na nossa visão, porque juntou duas missões da área de Ciências Espaciais e Atmosféricas completamente opostas. Em 2002-2003, a missão EQUARS já estava andando bem, era um satélite de órbita equatorial para estudo da alta atmosfera terrestre e da ionosfera terrestre. Tinha uma colaboração importante, não só dentro da CEA, mas uma colaboração internacional centrada no INPE. Havia diversos parceiros internacionais e uma configuração com nove instrumentos científicos.

Havia também uma proposta, um conceito que estava nascendo, que era um satélite imageador de Raios X e Gama, na área de astrofísica, também dentro da área de Ciências Espaciais, mas esse satélite deveria vir bem depois porque, em 2004 e 2005, o EQUARS já estava em fase avançada. Havia uma arquitetura de missão que já estava caminhando bem e esse satélite poderia ter sido lançado até 2010. A ideia era que esse satélite fosse lançado de carona em um foguete indiano. Não teria custo de lançamento.

Mas aí mudou a gestão do INPE e houve um entendimento de que deveria se usar a Plataforma Multimissão (PMM). O EQUARS ia utilizar uma plataforma franco-brasileira, uma plataforma de menor porte, de até 150 quilos. A PMM era um projeto que nasceu na AEB e o Instituto achou que seria uma plataforma realmente multimissão e que todas as missões deveriam ser desenhadas para essa plataforma. Em um dado momento, se fundiu a missão MIRAX, que era um conceito, com a missão EQUARS, que estava bem estabelecida, criando a missão do satélite LATTES.

Na minha opinião esse foi o maior erro que esse Instituto já cometeu na área de Ciências Espaciais. Porque o EQUARS era para ser de órbita equatorial, para estudo da alta atmosfera e da ionosfera terrestre. O MIRAX era para imagear o centro da galáxia em busca de fontes de Raios X e Gama. São instrumentos e ciências completamente diferentes. Elucubraram-se configurações que nunca saíram do papel, que nunca avançaram. Isso, na minha opinião, foi um erro estratégico. Quando o Perondi assumiu a direção – ele é oriundo da Engenharia, e como Coordenador da ETE foi quem deu um passo importante que levou ao desenvolvimento dos satélites CBERS 2B, 3 e 4–, percebeu de imediato que o natural seria retomar a configuração de duas missões separadas. Mais que isso, teve a visão estratégica de que o Instituto deveria se engajar no desenvolvimento de uma plataforma de menor porte para satélites científicos e tecnológicos.

O MIRAX continuaria como um estudo conceitual, tanto é que agora a parte científica e de desenvolvimento da instrumentação do MIRAX entrou no caminho correto. Serão feitos dois voos com balão estratosférico para testar o conceito da câmara imageadora. Se atender satisfatoriamente os requisitos do que deve ter um instrumento para o monitoramento de fontes de Raios X e Gama, aí se passa para a fase seguinte, que é o desenvolvimento do satélite no conceito do experimento que terá voado em balão com sucesso. Está previsto um lançamento para 2017 e um segundo em 2018, para balão estratosférico.

E o EQUARS voltou a configuração inicial, só que, como fruto desse histórico, perdemos todos os colaboradores internacionais. Acabamos agora a configuração de cinco instrumentos de cinco grupos diferentes, quatro da CEA e um do CTE. Na minha opinião, isso foi uma perda enorme, mas agora a missão EQUARS entra numa fase de fechamento, de ser realmente um satélite científico, da classe de 100 a 150 quilos, desenvolvido pelo Instituto e que pode ser lançado nos próximos anos. O Plano Diretor anterior teve diversos pontos positivos, mas outros muito negativos. Por outro lado, mesmo nessas histórias tristes, temos que tirar um aprendizado que é ver com muito cuidado o que é factível e o que não é factível de ser feito. Isso foi o que tentamos corrigir na proposta de Plano Diretor 2016-2019 dentro da perspectiva de contribuição da CEA.

Instrumentos desenvolvidos para a missão do satélite EQUARS.

Temos hoje um conceito diferente dentro da CEA que nos facilita muito para avaliar os nossos projetos e acompanhá-los de uma forma mais eficiente, pelo menos aqueles que são os principais, que demandam mais recursos. Nós não fazemos pulverização dos recursos orçamentários que vêm via MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação) e AEB (Agência Espacial Brasileira), por exemplo. Temos um plano orçamentário de R$ 5 milhões e uma boa parte desse recurso é distribuída em dois ou três projetos agregadores. Nós temos utilizado esse conceito nos últimos três anos, isso melhorou muito nossa execução orçamentária, nos deu mais controle sobre o andamento dos projetos. A gente foca mais atenção em dois ou três projetos ao invés de 10 projetos, por exemplo. Esses projetos são projetos agregadores. Não adianta ser um projeto de uma pessoa só, que pode buscar recursos em agências de fomento. Temos direcionado os recursos do PPA (Plano Plurianual) basicamente para projetos agregadores.

Nós temos utilizado esse conceito nos últimos três anos,
isso melhorou muito nossa execução orçamentária, nos
deu mais controle sobre o andamento dos projetos.

Há um coordenador, que é o PI (Principal Investigator) do projeto e equipes razoavelmente grandes são compostas com vários especialistas que discutem, durante dois ou três meses, suas necessidades orçamentárias do plano seguinte. Esses projetos são encaminhados à coordenação da CEA e avaliados por um boarding científico, composto por três pessoas da CEA e duas de fora.

- Foi uma mudança de gestão da CEA?

Oswaldo Miranda – Dos recursos. Nos últimos três anos, nós temos implantado esse conceito e ele foi melhorando. Esse ano ele atingiu a sua eficiência. Nós temos três projetos. Uma das equipes tem cerca de 20 pessoas envolvidas. É a equipe do projeto telescópio SOLAR, em desenvolvimento pela Geofísica Espacial, conhecimento competitivo, com ciência de fronteira e horizonte muito claro de onde se quer chegar. É um instrumento desenvolvido primeiro para solo, depois vai se testar a adaptação dele para o espaço. Passará antes pela etapa de lançamento em balão estratosférico para avaliar o desempenho daquilo que pode ser no futuro uma carga útil para um novo satélite científico. Esse é um projeto mobilizador dentro da CEA. Ele foi contemplado em duas avaliações: a do ano passado e do ano retrasado. A avaliação corre no ano que é proposto e a liberação de recursos, no ano seguinte.

Outro projeto agregador é a SPARC 4, liderado por uma pesquisadora da Divisão de Astrofísica. É uma câmara polarimétrica para ser instalada no Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). O telescópio que eles têm lá é de 1,60 metros, e se esse instrumento funcionar adequadamente, como tudo indica que vai, pode virar um conceito para outros telescópios de maior porte, até fora do Brasil, por que não? Seria uma forma de o INPE começar a se inserir na instrumentação científica focada em grandes telescópios, como aqueles no Chile, Havaí e nas Ilhas Canárias.

O INPE pode ser um player importante no desenvolvimento de instrumentação competitiva no futuro. Isso está sendo possível por essa mudança de paradigma de os recursos serem disputados, no bom sentido, por projetos ranqueados em primeiro e até, no máximo, terceiro lugar de uma lista, de acordo com a avaliação desse comitê, para no ano seguinte serem então iniciados ou continuados. O telescópio SOLAR e a SPARC 4 são dois exemplos de projetos que já receberam financiamento por dois anos. Além de ter que ser uma ciência competitiva, ciência inovadora, os projetos devem ser agregadores.

Não adianta ser de um único pesquisador ou de um único grupo, tem que ser multidisciplinar, ter a capacidade de agregar mais gente, inclusive de fora da CEA, dentro do INPE. A equipe tem que se estruturar de forma que convença o comitê de avaliação que conseguirá produzir os processos licitatórios usando a legislação que está aí. Não adianta reclamar que a legislação emperra. A legislação não emperra, o que emperra é o mau entendimento da legislação. Essas pessoas têm que se articular, dividir tarefas, inclusive quanto ao projeto e quanto à elaboração dos termos de referência, dos processos licitatórios.

O sucesso tem sido enorme, nós não tivemos processo reprovado na CJU (Consultoria Jurídica da União), mesmo no nível de concorrência internacional, que no passado era algo problemático dentro do Instituto. Conseguimos aprovar os projetos, as RCs (Requisições de Compra), tanto é que chegamos no final de agosto com um problema que, por um lado, é bom e por outro, ruim. Quando veio o corte orçamentário, o ano para nós acabou, porque nossos recursos já estavam pré-empenhados, empenhados ou liquidados. Tínhamos uma sobra de R$ 1 milhão para tocar os outros pequenos projetos e isso foi cortado. O ano para nós acabou por causa da boa forma como os recursos foram sendo utilizados e nós não esperamos a liberação orçamentária. Em fevereiro, já havia processos de compra sendo encaminhados para análise jurídica, já que a CJU dá essa abertura para analisar processos licitatórios mesmo sem a liberação de recursos. O processo fica analisado, se tem um parecer positivo, já fica pronto, aguardando recursos para o projeto ser implementado. Isso dá uma velocidade muito grande ao processo. E se é preciso fazer uma adequação, a adequação é feita enquanto se espera os recursos.

Essas são então as principais mudanças de visão da CEA no Plano Diretor anterior para o atual. Aquilo que não deu para fazer como se prometeu em 2011 e 2015, nós estamos dando um fechamento e reorientando. Hoje temos somente duas missões em discussão para espaço: o EQUARS, que está caminhando bem, e a outra é o MIRAX, que também está caminhando bem, mas que deve acontecer em um prazo maior.

Os Planos Diretores anteriores, 2011-2015 e o anterior a esse, prometiam lançar o LATTES em 2008. Não foi lançado até hoje e não vai ser lançado porque aquela configuração não é realista. Você não coloca em um satélite um grau tão grande de complexidade sem ter feito satélites numa escala crescente de complexidade. Tem que subir a escada degrau por degrau, senão cai e se machuca. Há etapas a seguir. O natural é, para se ter um dia um satélite científico de duas toneladas lançado – não sei se um dia chegaremos a isso – começar com experimentos menores. Os nanossats ajudam também nessa criação de conceito e treinamento.

Colocamos o MIRAX (...) na linha correta.
Ele tem que mostrar que o conceito da câmara,
que está em desenvolvimento, funciona.”

O EQUARS se beneficiou daquilo que foi feito até 2005, o que veio depois não beneficiou em nada. Nós retomamos o trabalho desenvolvido até 2005. Colocamos o MIRAX, que seria o segundo satélite científico, na linha correta. Ele tem que mostrar que o conceito da câmara, que está em desenvolvimento, funciona. Não é no satélite que deve se testar isso. Você coloca em um balão estratosférico, a 40 quilômetros de altitude. É possível fazer um voo de várias horas para testar todos os sistemas nessa altitude, que só tem 0,1% da atmosfera aqui da superfície. É possível perfeitamente validar o conceito da câmara com um ou dois voos de balão. Se ele atingir a configuração desejada e funcionar conforme o previsto, vira, lá na frente, um satélite científico.

– Esses satélites não farão mais uso da PMM?

Oswaldo Miranda - No caso do MIRAX, ainda está em aberto essa possibilidade, porque ele vai ser um satélite com uma carga útil de massa maior, deve chegar a uns 300 quilos. A plataforma PMM poderia ser uma opção, mas por outro lado, antes de chegar nessa fase, de dizer claramente “vamos fazer o estudo conceitual do satélite MIRAX”, a câmara que está sendo desenvolvida no INPE - com o INPE liderando, mas com outras instituições colaborando - deve mostrar que realmente atinge as condições técnicas necessárias para as finalidades científicas a que se aplica: o monitoramento de fontes no centro da galáxia. Se isso ficar demostrado através dos voos em balões estratosféricos, o ganho será enorme. Ao mesmo tempo esses experimentos, que a gente chama de proto MIRAX porque irá testar o conceito, dão fôlego a outra área que estava meio no limbo aqui no INPE, que é o Setor de Lançamento de Balões , que fica dentro da CEA.

Experimentos desse tipo oferecem a perspectiva de se avançar naquilo que não se conseguiu desenvolver até hoje, que é uma plataforma estabilizada para balões de grande porte com requisitos parecidos com os dos satélites. Para você mandar um artefato de várias toneladas a 40 quilômetros de altitude é preciso ter um sistema de estabilização para se acoplar o instrumento, da mesma forma que se tem um módulo de serviço para satélite, que é uma plataforma com todos os subsistemas agregados e onde se espeta a instrumentação. Um balão também tem que ter essa plataforma. Isso é um módulo de serviço específico com requisitos parecidos com os de um satélite: controle de atitude, condições de apontamento do detetor e do instrumento para a direção prevista, e que deve manter essa orientação independente das condições de voo produzidas pelos ventos na alta atmosfera terrestre enquanto está subindo, ou na estratosfera, onde se tem as correntes de jato. Você reproduz na altitude de 35 – 40 km o que o satélite terá que fazer em órbita.

Ganha-se muito nessa sinergia de atividades, que é o que falta muito no INPE, na minha visão. As áreas trabalham de uma forma muito quadradinha, cada um no seu quadrado, interagindo muito pouco uma com a outra. Dentro da CEA isso também existia. Havia grupos de pesquisa que eram praticamente autocentrados. Ciência não se faz assim. Ciência se faz discutindo aquilo que está sendo feito fora, aquilo que é desafiador, em um fórum grande e multidisciplinar. Isso tem que ser feito dentro da CEA e da CEA com outras coordenações também. Tem que ser um exercício constante do Instituto, senão acaba-se perdendo o foco na ciência de ponta, na ciência de qualidade, que é o início da nossa atividade.

Se você faz uma ciência de ponta, de qualidade, entrega para a sociedade o desenvolvimento de algum produto, que pode ser inclusive um desenvolvimento tecnológico, uma inovação, pode ser uma patente, como o CTE muitas vezes obtém. E o fruto desse desenvolvimento atrelado, de pesquisa básica e desenvolvimento tecnológico, vai migrar para a sociedade num rol de produtos para melhorar a vida do cidadão comum. Isso é feito em várias áreas do INPE e, na CEA, também através do Programa de Clima Espacial.

Entender como o Sol interfere no nosso dia-a-dia é importante, por exemplo, para a aviação civil. Toda a vez que o Sol aumenta a sua atividade, perturba a ionosfera terrestre podendo induzir efeitos importantes para a propagação de sinais rádio como os sinais dos sistemas GPS e GNSS. Toda aeronave em voo está se baseando nisso para manter a altitude correta. O piloto checa seus instrumentos, mas não tem a informação do erro. Se tiver erro por causa da perturbação da ionosfera, na propagação do sinal, a aeronave pode descer ou subir, achando que está na altitude correta, colocando-a em situação de risco.

Na prospecção de petróleo, no caso do Brasil que vai buscar petróleo na camada do pré-sal, onde a profundidade é gigantesca, vários quilômetros de profundidade, não tem como enviar um mergulhador ou robôs para ancorar uma plataforma com cabos a dois quilômetros de profundidade, em relação à lâmina d'água. É muito fundo. Nesse caso, a técnica de prospecção de petróleo é diferente; estabiliza a plataforma por flutuadores controlados por sinal GPS. Portanto, é importante entender como o Sol funciona, como o vento solar interage com a atmosfera terrestre, com a ionosfera terrestre. Hoje nós vivemos numa sociedade altamente dependente da tecnologia.

As colheitadeiras nas grandes fazendas de produção agrícola também são controladas por GPS. O operador programa a rota a ser seguida e o GPS controla isso, através do piloto automático da colheitadeira. Se tiver um erro no GPS, a colheitadeira pode ir para uma direção errada, pode colher uma área que não deveria ser colhida naquele momento. Isso pode produzir prejuízos. O serviço que aponta a possibilidade de erro no sinal do GPS é um subproduto desse programa liderado pela CEA.

O INPE só conseguiu ter um programa com essa maturidade porque trabalhou sem barreiras: o CTE, através do LAC (Laboratório de Computação e Matemática Aplicada), naquilo que tem de competência, sem precisar recriar o que tem na CEA. O Programa precisa de vários equipamentos de solo mandando sinais e quem sabe muito bem trabalhar com sistemas de solo, comunicação de dados, é a Divisão de Sistemas de Solo (DSS), da ETE, dentro do programa espacial. Por outro lado, qual é o grande ponto dos estudos dos modelos meteorológicos? São os acoplamentos. O acoplamento oceano-atmosfera é fundamental para definir o quão bom um modelo numérico será na meteorologia, e isso também depende da física que se coloca no acoplamento desses dois fluidos, que são diferentes. Oras, lá em cima há um fluido diferente, que é a ionosfera, uma camada limite, uma camada de contato com a camada terrestre. Não precisa recriar todo o aparato em modelagem que o CPTEC já faz para um fluido oceano-atmosfera. Adapta-se a física desse acoplamento lá para cima, para a atmosfera-ionosfera. Isso já introduz um ganho e quebra essas fronteiras que não deveriam existir.

Eu acho que qualquer Plano Diretor de uma instituição do
porte do INPE tem que ter esse caráter agregador, de
mapear as sinergias e acoplamentos entre uma área e outra.

Eu acho que qualquer Plano Diretor de uma instituição do porte do INPE tem que ter esse caráter agregador, de mapear as sinergias e acoplamentos entre uma área e outra. Deve haver um contínuo de atividades, senão fica um aqui, outro lá e um gap no meio, um vazio.

Na sua opinião, para esse novo período do Plano Diretor, a CEA está aprofundando essa característica?

Oswaldo Miranda – O início do trabalho do Plano Diretor tomou como base um seminário que foi feito há dois anos com a participação das áreas finalísticas do INPE e que colocou uma provocação, no bom sentido: como é que vocês se veem hoje? Qual é a ciência de fronteira que vocês deveriam fazer? O que é desafiador para vocês? Foi um seminário que teve como tema “Desafios”. Isso já fez com que cada área pensasse um pouquinho nos seus desafios de ciência de fronteira e ao mesmo tempo cada um pôde acompanhar o que o outro estava pensando.

Esse Plano Diretor nasceu de uma forma diferente dos anteriores, nasceu desse seminário provocador, no bom sentido, que se introduziram questões importantes de serem pensadas. Colocou ainda a questão da avaliação do que havia sido prometido lá atrás. Porque não adianta criar um plano por criar. Deve ser aderente à realidade, até mesmo porque a gente vai ser cobrado por ele depois. Ele se torna público, serve para o MCTI e, inclusive, para os órgãos de controle identificarem o que é atividade finalística e o que não pode ser terceirizado. É um documento que traz muita responsabilidade.

E o Plano teve um caráter preparatório para as discussões do novo PPA (Plano Plurianual), que também cobrem o período de 2016-2019. Qual foi a ideia? Colocar o Plano Diretor em fase com o PPA. O atual PPA encerra em 2015. Do início desse ano até o meio do ano foram realizadas diversas reuniões de planejamento em Brasília, com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, diversos ministérios, e representantes definidos pelo INPE com as principais áreas do Instituto.

E nas discussões do PPA, utilizamos tudo o que a gente havia discutido e analisado em relação ao Plano Diretor do INPE. Mesmo que o Plano Diretor não estivesse fechado - ainda está em fase de consolidação -, nós já tínhamos as contribuições das áreas. Usamos esse material para avançar no nosso PPA. Do que eu vi e participei das oficinas do PPA, foi essa preparação do Plano Diretor que deu ao INPE uma condição muito diferente das outras instituições que estavam lá. Nós fomos muito bem preparados, mostramos resultados ao Ministério do Planejamento. Recebemos, inclusive, elogios do Ministério do Planejamento como um órgão da área espacial com eficiência, que tem o que mostrar. O peso da participação do INPE se mostrou pelos documentos gerados.

O INPE tem três metas, ou seja, aquilo que deve entregar à sociedade até 2019. E temos um conjunto vasto de iniciativas que foram colocadas no documento oficial do PPA. Conseguimos um avanço em áreas que não tínhamos penetração no passado. É daí que vem o recurso. Se você está inserido nos principais programas de estado, é daí que virão os recursos para tocar as atividades do INPE entre 2016 e 2019. Um feito que veio desse trabalho do Plano Diretor, que nos abriu novos horizontes.

O Plano Diretor é um documento estratégico. Na minha opinião, ele foi feito da forma correta, da base para cima, foram colocadas diretrizes e antes teve aquele seminário chamado Desafios. As áreas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) tiveram a oportunidade de refletir: o que é feito em termos de ciência lá fora? O que a gente pode fazer para estar perto da ciência de ponta? O que é factível de ser feito? Essas questões ajudaram depois a escrever o Plano Diretor.

- Qual é a perspectiva do EMBRACE para esse novo período do Plano Diretor?

Oswaldo Miranda - Ele é um programa bebê. Nasceu em 2008 e, na minha opinião, foi feito da forma correta em termos de sequencia. Primeiro passou por uma fase de implantação de infraestrutura nos primeiros quatro anos. Entre 2008 e 2012, o EMBRACE estava se estruturando. Com a estrutura montada, começaram a discutir o que poderiam fazer em termos de entrega de serviços e produtos à sociedade, pois agora existe uma infraestrutura que permite atender à sociedade, aviação civil, prospecção de petróleo, gasodutos, etc. É preciso monitorar continuamente as condições de espaço que interferem na vida da Terra e atuar de forma preventiva na segurança dos sistemas tecnológicos que temos aqui. Os sistemas de geração primária de energia, por exemplo, todos eles são controlados por computador, por sistemas complexos. Linhas grandes, metálicas, são condutoras. Perturbações lá em cima, na ionosfera terrestre, induzida pela Sol, geram correntes que são induzidas nas torres de transmissão, no invólucro dos transformadores de alta potência. Isso pode fazer um transformador superaquecer e estourar. Um transformador desse tipo, por exemplo, um primário de Itaipu, não é um equipamento que se encontra na loja. Eles são feitos por encomenda e o tempo de fabricação pode durar muito dependendo do tipo de transformador.

Sala de Situação do Programa EMBRACE, de
monitoramento do clima espacial.

Se ao monitorar as condições solares, chega-se a conclusão por modelagem que uma erupção importante que virá na direção da Terra, podendo afetar uma usina primária de geração de energia, é preciso passar um alerta para a operadora nacional do sistema elétrico, e remanejar a sua operação, inclusive preservar, em função da latitude, quem é que pode sofrer mais. Esse é um serviço importante que ainda não está implantado. Está em fase de estruturação. Está em discussão nesse momento quais serviços vão para a sociedade. E todos esses produtos são fruto de uma P&D, de alto nível, de pesquisa básica.

Há um erro conceitual no Brasil. Todo mundo fala: “tem que fornecer produto para a sociedade!”, mas o produto vem de onde? Vem da pesquisa. A pesquisa é que gera as condições dos desenvolvimentos tecnológicos e para esse desenvolvimento se reverter em produtos para a sociedade. Se prejudicar a pesquisa básica, como é possível gerar produtos de qualidade? Sem ela, não há geração de produtos competitivos em relação ao que se faz lá fora! E a sociedade hoje, vai buscar aonde? Se não tiver aqui, vai buscar lá fora. E se for buscar lá fora, não vai gerar renda, não gera receita para a nação.

No entanto, deve-se tomar cuidado, a pesquisa básica não deve ser “a pesquisa pela pesquisa”. O INPE não é uma universidade. Mas se mantiver um foco de 30% em sua pesquisa básica, o Instituto estará bem centrado, mantendo outros 40% na pesquisa tecnológica, no desenvolvimento instrumental tecnológico, e outros 30% em produtos e serviços que deverá gerar a partir desse conjunto. Esse seria um bom balanço para as atividades do INPE na minha opinião.


Fonte: Informativo do INPE - Número 03 - 22/10/2015

Comentário: Eu creio que não é necessário acrescentar mais nada, há não ser parabenizar ao Dr. Oswaldo Duarte Miranda pela coragem de dizer entre outras coisas que houve erro na concepção do projeto do Satélite LATTES, coisa que confesso que, quando este satélite foi anunciado pela primeira vez, não fez muito sentido para mim, já que no mínimo, diante do que já se tinha realizado nos Projetos EQUARS e MIRAX, fora o fato da complexidade tecnológica do satélite, demonstrava falta de foco e certamente tinha grandes chances de não se concretizar. Ou seja, trocou-se naquela época o quase certo (lembre-se leitor, no PEB a única coisa certa é que não tem nada certo) pelo certamente incerto, e deu no que deu. Como já não bastasse os debiloides de Brasília e as herculanas dificuldades impostadas ao PEB por uma legislação inadequada (ponto que não concordo com o que disse o Dr. Oswaldo Miranda) e um desgoverno aliado a uma classe política sem compromisso, corrupta e incompetente, neste caso específico o INPE pisou na bola e feio, já que num universo de tantos desencontros e estupidez, quem se destaca é rei, e infelizmente para o instituto e para o país, desta vez não foi isto que aconteceu. Lamentável!