sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Profissional do PEB Externa Sua Opinião Sobre o Que Pode Ter Ocorrido no Incidente do SARA

Olá leitor!

O acidente acorrido com a Missão SARA foi algo que me deixou muito chateado e frustrado desde o momento que fiquei sabendo o que tinha acontecido. Confesso que a emoção tomou conta de mim e eu chorei feito uma criança.

O Projeto SARA sempre foi o meu xodó desde que tomei conhecimento de sua existência ainda na época em que o seu idealizador, o Dr. Paulo Moraes Junior (já falecido), era o coordenador do projeto, não só pelos seus objetivos, mas principalmente por enxergar nele uma gama de oportunidades futuras extremamente mobilizadoras para todo setor espacial brasileiro e evidentemente, sendo um projeto Dual, também na área de Defesa.

O próprio Dr. Paulo, um visionário, já havia me dito algumas vezes que após a sua aposentadoria do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) planejava criar uma empresa espacial tendo como primeiro projeto o desenvolvimento de um sistema de acoplagem com outros objetos no espaço para ser utilizado pela futura cápsula SARA Orbital, mas infelizmente o seu falecimento prematuro atrapalhou os seus planos.

Assim sendo, quando tomei conhecimento do ocorrido com a Missão do SARA Suborbital 1, no dia seguinte (Sábado – 14/11) peguei minha Bike e pedalei mais de 30 km até a Praia de Buraquinho (Lauro de Freitas-BA) para assim tentar esfriar a cabeça e organizar as ideias, afinal ainda tinha o relatório da missão para escrever, algo que diante do ocorrido não seria nada prazeroso fazer.

Enquanto na praia envolto pela frustração e pelos pensamentos fui contatado pelo meu WatsApp por cinco profissionais do PEB que como eu estavam frustrados, chateados e preocupados com o futuro do Projeto SARA, esperando, talvez, ouvir de mim alguma palavra de conforto e esperança, coisa que infelizmente naquele momento (e muito menos agora) não tinha como fazê-lo.

Vale dizer que antes mesmo do meu relatório e de qualquer esclarecimento oficial da FAB (coisa que posteriormente demonstraria ser bastante frustrante) começaram surgir na net e nas redes sociais as costumeiras teorias da conspiração (endossadas sem necessidade a meu ver pela forma como a FAB tratou o ocorrido quando não foi didática com as suas explicações para à sociedade) supondo que o incidente teria sido motivado por sabotagem e indo além, apontado irresponsavelmente os EUA como o provável autor da suposta sabotagem.

Sabotagem? Ora leitor, é verdade que a possibilidade de sabotagem ela realmente existe, mas é apenas uma das muitas possibilidades que justificam situações como esta. Porém não se deve sair acusando irresponsavelmente pessoas, instituições e países sem que se hajam provas, não é assim que uma pessoa de bem, um cidadão respeitável e conhecedor de seus direitos e principalmente seus deveres, deve agir, enfim...

Felizmente, no dia de ontem (19/11) fui contatado por um grande profissional do PEB (conhecedor do projeto do foguete VS-40) que apesar de não está presente no incidente, mas diante do que foi dito pela FAB, resolveu externar a sua opinião sobre o que pode ter ocorrido com a Missão do SARA.

Segundo este profissional (que me pediu para não divulgar o seu nome), por conhecer o foguete e o processo de lançamento algumas coisas podem ser concluídas:

“Houve ignição do foguete mas o mesmo não partiu.

Combustível sólido não explode e sim queima.  A fumaça da foto era de um motor queimando.

O único dispositivo que realmente explode é o ignitor.  O processo de ignição após a detonação do ignitor é onde mora o problema.  Assim poderiam ter acorrido pelo menos 3 problemas:

1 - fracionamento do bloco de propelente;

2 - desculatração da tubeira

3 - rompimento da carcaça do motor em torno do ignitor (foi o que ocorreu com o VLS V02)

Os problemas 1 e 2  fariam o foguete não realizar o voo, mas tiraria o veículo da rampa.

Se o veículo nem saiu da rampa (nada o prende nela) o mais provável é que tenha sido o problema 3.

Neste caso, terá havido um grande dano na própria rampa de lançamento e não apenas no experimento (que deve ter se perdido).

Então este é um ponto pra saber o que aconteceu.  Saber como ficou a rampa de lançamento.  Se ela tiver sido destruída (ao menos parcialmente) indica a explosão provocada pelo ignitor.

Como esse problema já havia acontecido antes no VLS e disseram que "consertaram" a possível causa, resta saber quem foi o responsável pelo montagem do ignitor.

Detalhe importante, esse é o único evento que não pode ser testado na contagem simulada...”

Pois é leitor, após ser contatado por este grande profissional resolvi trazer para você a visão dele do que pode ter ocorrido, mas a FAB divulgou que uma comissão de especialistas será montada para investigar o incidente, mas devido ao que está em jogo, creio que dificilmente esta comissão apresentará para sociedade um relatório com todas as suas conclusões, o que é uma pena.

Duda Falcão

4 comentários:

  1. Desde o início eu cogitei a possibilidade de sabotagem, mas nunca disse por parte de quem.

    E não disse porque, na minha opinião, se realmente tiver sido sabotagem, trata-se de um trabalho interno. Sim, por mais absurdo que isso soe.

    Tenho umas duas teorias para justificar isso, mas não vou apresentá-las aqui porque não passaria de especulação.

    A outra hipótese: falha técnica ou humana, seria mais vergonhoso ainda. Como conseguem cometer os mesmos erros de novo? Seria um atestado de gritante incompetência.

    É por isso que eu prefiro acreditar que se trata de sabotagem.

    Agora uma dica para o Duda e para os profissionais do PEB:

    NÃO USEM WHATSAPP!

    O WhatsApp pode ser hackeado facilmente e ter as conversas monitoradas.

    Como o Duda disse que recebeu um email suspeito há alguns dias, pode ser que estejam monitorando suas comunicações.

    O mesmo vale para os técnicos do PEB, que COM CERTEZA estão tendo as comunicações monitoradas, por isso, evitem trocar mensagens sobre os projetos do PEB pela internet.

    Mas caso precisem, utilizem apps um pouco mais seguros: como Telegram ou BBM (Blackberry Messenger).

    Outra dica é utilizar o sistema Linux ao invés de Windows.

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    1. Olá RodrigoV!

      Concordo contigo com relação uso do Whatsapp, mas no caso citado por mim não estávamos conversando nada de mais, só relatando as nossas frustrações quanto ao ocorrido e se realmente existe a possibilidade de continuidade no projeto. Enfim... Ninguém estava divulgando segredo algum. Quanto a ter minhas comunicações monitoradas ei já sei disso a muito tempo, mas como disse não tenho nada a esconder.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Interessante as questões levantadas pelo Rodrigo V. Acredito que o profissional, do VLS V02 e do último VS 40, não seja o mesmo, certo? Acredito, que o processo de colocação do ignitor; teria que ser vigiado mais de perto, por exemplo, através de câmeras de vigilância. Pode ser sabotagem interna, sim,mas a mando de alguma potência estrangeira.

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  2. Será importante que o laudo sobre o acidente se torne publico. Laudos sobre as falhas dos VLS foram publicados (se não todos pelo menos alguns) e serviram aos processos de revisão do projeto.

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