quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Estudo Internacional Avalia Causas da Crise Hídrica no Sudeste do Brasil

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (11/11) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), destacando que Estudo Internacional avalia causas da Crise Hídrica no Sudeste do Brasil.

Duda Falcão

Estudo Internacional Avalia Causas
da Crise Hídrica no Sudeste do Brasil

Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015

O aumento da população e do consumo de água são apontados como os principais fatores associados à crise hídrica no Sudeste do Brasil, segundo estudo realizado por uma rede internacional de cientistas, da qual participa o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Intitulado “Factors other than climate change, main drivers of 2014/15 water shortage in southeast Brazil”, o estudo publicado no boletim da Sociedade Americana de Meteorologia não identificou alterações no risco climático induzidas por atividades humanas para a ocorrência de eventos extremos como a recente seca no Sudeste.

“As pessoas estão interessadas em saber se as influências humanas em nosso meio ambiente estão afetando as condições de tempo e clima que vivenciamos hoje”, diz Caio Coelho, do CPTEC/INPE. Segundo o pesquisador, secas podem ser estudadas sob várias perspectivas e esse trabalho examinou o fenômeno em termos de falta de chuva, disponibilidade e consumo de água.

As consequências ou impactos da seca, como a redução no fornecimento de água, o crescimento do número de casos de dengue e o aumento dos preços da energia, são resultado da baixa disponibilidade de água em combinação com o número de pessoas e infraestrutura afetadas. 

Foram empregados três métodos independentes para analisar o papel do aquecimento global induzido pelas atividades humanas na falta de chuva e disponibilidade de água. O primeiro método empregou análises estatísticas dos dados históricos de precipitação para avaliar tendências nos eventos extremos observados desde 1941. Os resultados dessas análises indicaram que o déficit de chuva registrado no Sudeste em 2014/15 foi excepcional, porém não único, uma vez que condições similares foram observadas na região em 1953/54, 1962/63 e 1970/71.

O segundo método identificado como weather@home usou resultados de milhares de simulações produzidas por um modelo climático atmosférico, reconhecido pela comunidade científica internacional como estado-da-arte, para executar duas análises distintas: uma que representa o clima atual assim como observado durante o evento de seca 2014/15, e outra que representa o mesmo evento de seca, porém em um mundo hipotético sem a interferência humana na concentração de gases causadores do efeito estufa. O terceiro método utiliza modelos climáticos globais acoplados oceano-atmosfera do projeto internacional de intercomparação de modelos acoplados versão 5 (CMIP5).

A aplicação dos três métodos de forma independente levou a conclusão de que a frequência de ocorrência de seca em termos de disponibilidade de água nos últimos anos não foi influenciada pelas alterações climáticas promovidas pelas atividades humanas. O estudo indicou que a falta de chuva no sudeste do Brasil em 2014 e 2015 foi excepcional, porém não incomum, com o mais recente episódio de seca observado em 2001.

“Estudos empregando métodos múltiplos como este são importantes para ajudar a responder questões de direta relevância e interesse de diversos setores da sociedade após a ocorrência de eventos climáticos de grande impacto. O modelo weather@home, que roda em uma grande rede voluntária de computadores pessoais, produz um imenso volume de dados, fornecendo aos cientistas confiança para avaliar quantitativamente se os gases do efeito estufa impactaram o evento de seca de 2014/15 em São Paulo. Este é um aspecto inovador do estudo que permite ao público se envolver diretamente na ciência”, diz Coelho.

O estudo foi executado por uma rede internacional de pesquisadores do CPTEC/INPE (Brasil), KNMI (Holanda), Universidade de Oxford (Reino Unido), Universidade de Melbourne (Austrália), Centro Climático da Cruz Vermelha (Holanda), Universidade de Amsterdã (Holanda), Universidade de Utrecht (Holanda), Universidade de Columbia (Estados Unidos da América), IRI (Estados Unidos da América) e NASA (Estados Unidos da América), sob coordenação da Climate Central (Estados Unidos da América).



Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

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