sexta-feira, 3 de julho de 2015

Visita de Dilma à NASA Reacende Expectativa de Que Programa Espacial Brasileiro Decole

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada dia (01/07) no site da da revista “ISTOÉ Independente” destacado que visita de Dilma à NASA reacende expectativa de que Programa Espacial Brasileiro decole.

Duda Falcão

ISTOÉ TECNOLOGIA & MEIO AMBIENTE

Visita de Dilma à NASA Reacende Expectativa
de Que Programa Espacial Brasileiro Decole

Da Redação
ISTOÉ Independente
ISTOÉ Online
01.Jul.15 - 17:02
Atualizado em 03.Jul.15 - 15:09

A viagem oficial da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos incluiu um encontro com empresários do setor aeroespacial e uma visita ao centro de pesquisas da Agência Espacial Americana (NASA) na quarta-feira (1º). O "tour" já rendeu sete acordos bilaterais entre o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) e os Estados Unidos de cooperação que aumentam a oportunidade de intercâmbio entre pesquisadores brasileiros e americanos. Entre eles está um acordo entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a NASA para ampliar os estudos sobre o clima espacial e global e os da área de heliofísica (estudo do Sol). O acordo prevê também a participação do Brasil em missões que estudam o Sol e os arredores da Terra e a cooperação entre as agências espaciais na área de educação.Espera-se que essas iniciativas possam dar novo impulso para os avanços do país nessa área.

Ao contrário de parceiros do BRICS (grupo formado por grandes nações em desenvolvimento) como a China e a Índia, o Brasil não pretende investir em um programa espacial voltado para a exploração da Lua ou de Marte. Os planos do país no longo prazo se concentram na produção de satélites de monitoramento para controle do desmatamento, principalmente na Amazônia, além de acompanhamento do clima e de defesa nacional. O maior objetivo do país hoje é chegar ao espaço com um veículo lançador de satélite (VLS) de fabricação nacional.

Criado em 1961, o Programa Espacial Brasileiro avançou em ritmo lento desde então e passou por diversos altos e baixos. O envio do astronauta Marcos Pontes à Estação Espacial Internacional (ISS), em 2006, foi celebrado como um grande feito, mas a realidade é que o Brasil deixou de cumprir acordos com os outros países integrantes da iniciativa e, por isso, teve que pagar para colocar seu primeiro cidadão no espaço. Originalmente, o Brasil tinha prometido entregar peças e ajudar no financiamento da Estação, algo que não foi cumprido. Por isso, o País acabou afastado do projeto.

A história espacial brasileira também é marcada por um sério acidente na plataforma de lançamento do VLS-1 em Alcântara, no Maranhão, em 22 de agosto de 2003. Um incêndio seguido de explosão matou 21 técnicos civis e inutilizou completamente a base, três dias antes da data prevista para o lançamento.

Por outro lado, o Brasil acumula cinco satélites com tecnologia nacional colocados em órbita entre 1993 e 2007. Foguetes de sondagem brasileiros também chegaram à área de microgravidade da atmosfera, carregando cargas de quase 400 kg a 300 km de altitude.

Confira alguns fatos importantes ao longo da história do Programa Espacial Brasileiro:

Anos 1960

A criação do Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE) ocorre em agosto de 1961, com a assinatura do decreto 51.133 pelo então presidente Jânio Quadros. Na época, o mundo ainda celebrava a ida do primeiro homem ao espaço.

Dois anos depois, o grupo é renomeado para Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE). É quando o Brasil se organiza para suas atividades espaciais. Em 1965, o País inaugura o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte. O 1º lançamento ocorre em 1967 com o Foguete Sonda I, sob supervisão de técnicos da NASA, após um acordo celebrado com os Estados Unidos dois anos antes, quando uma equipe de técnicos brasileiros participou de um treinamento na Agência americana.

Réplica do foguete Sonda.

Anos 1970

Nos anos 70 houve uma aproximação do Brasil com outros países, entre eles a a França, que rendeu acordos para treinamento de engenheiros no desenvolvimento de lançadores e satélites. Em 1976, ocorreu o primeiro voo do foguete Sonda III. Mas só em 1979 é aprovada a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) com o objetivo de desenvolvimento de satélites e de veículos lançadores e implantação de centros de lançamento em solo brasileiro.

Anos 1980

Em 1983 é inaugurado o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, considerado o grande trunfo do país na área espacial, uma vez que a Base possui localização privilegiada para programas de lançamento de satélites. No ano seguinte é feito o primeiro lançamento de foguete daquela base, o Foguete Sonda IV, o primeiro foguete nacional dotado de um sistema de controle de atitude em voo.

Vista aérea do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.

Anos 1990

Em 1993 é lançado o primeiro satélite brasileiro, o Satélite de Coleta de Dados (SCD-1), com a missão de coletar dados ambientais. Quatro anos depois o Brasil ingressa no Programa da Estação Espacial Internacional (ISS). Em 1998 o Brasil seleciona o primeiro brasileiro astronauta.

Anos 2000

Em 2002 o Brasil assina acordo de cooperação com a China para o desenvolvimento dos satélites CBERS-3 e 4. Em 2003 é a vez de um acordo com a Ucrânia de Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo Lançador Cyclone-4 no Centro de Lançamento de Alcântara.

Neste mesmo ano, o País tem o pior acidente da história de seu programa espacial, com um incêndio na base de Alcântara que mata 21 pessoas.

Centro de Lançamento de Alcântara após explosão.

Em 30 de março de 2006, o tenente coronel Marcos Pontes torna-se o primeiro astronauta brasileiro a partir em direção à ISS a bordo da nave russa Soyuz 8, com oito experimentos científicos para execução em ambiente de microgravidade em comemoração ao voo do 14 Bis (Missão Centenário – Santos Dumont).

O astronauta brasileiro Marcos Pontes.

No início de 2015, o acordo com a Ucrânia para o lançamento de foguetes com satélites comerciais da base de Alcântara, firmado em 2003, foi cancelado. Ao longo dos 12 anos, o acordo bilateral custou R$ 1 bilhão, dividido entre os dois países. O governo justificou a decisão como necessária num contexto de ajuste fiscal.


Fonte: Site da Revista ISTOÉ Independente - 01/07/2015

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