quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Brasil e Argentina Vão Construir Telescópio em Parceria

Olá leitor!

Segue abaixo uma pequena matéria publicada ontem (13/08) na no site do jornal “Folha de São Paulo” destacando que o Brasil e a Argentina irão construir telescópio conjunto.

Duda Falcão

CIÊNCIA

Brasil e Argentina Vão Construir
Telescópio em Parceria

MARIANA NERY*
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
13/08/2013 – 14h52

Uma ideia nascida em um encontro científico de astronomia resultou, cinco anos depois, em um festejado acordo entre Brasil e Argentina para a construção de um novo telescópio.

O projeto representa uma oportunidade única para astrônomos brasileiros, que hoje têm de disputar outras antenas com cientistas do mundo todo.

O Llama (sigla em inglês para Arranjo Milimétrico Latino-americano), como foi batizado, será construído a 5.000 metros de altitude em San Antonio de los Cobres, no norte da Argentina, a 200 quilômetros do Alma (Chile), o maior observatório astronômico do mundo.

Assim como o Alma, o Llama vai operar na faixa de frequência mais altas de ondas de rádio --que não são absorvidas pela poeira interestelar e, portanto, permite que o observador possa enxergar mais longe, até a borda do universo. Atualmente poucos observatórios no mundo operam nessa frequência.

A proximidade entre os dois é outro diferencial, porque permitirá a observação em rede de um mesmo fenômeno com mais detalhes.

No Alma, a possibilidade de cooperação também é vista com bons olhos. O diretor do observatório, Thijs de Graauw reconheceu a iniciativa como uma ótima oportunidade para o próprio projeto e para que pesquisadores brasileiros e argentinos participem das pesquisas no Alma.

Segundo uma das coordenadoras do projeto, Zulema Abraham, foram necessários muitos anos, um workshop científico, visitas a outros telescópios e o aval dos dois governos e de cientistas estrangeiros para que a proposta fosse aprovada, no ano passado.

Pelo acordo, o Brasil ficará responsável pela construção da antena --cujo orçamento estimado em 6 milhões de euros será financiado pela FAPESP-- enquanto o país vizinho cederá o local e fornecerá a infraestrutura necessária, como obras viárias e fornecimento de energia, com um investimento equivalente.

Segundo Abraham, após a assinatura do convênio, que deve ocorrer nos próximos meses, a expectativa é que o telescópio esteja pronto em cerca de dois anos e meio.

"Já era hora de Brasil e Argentina estreitarem seus laços. Se for inviável para um país construir sozinho um equipamento de última geração, é necessária uma união", afirma o astrônomo Pedro Beakilini, pós-doutorando da USP envolvido no projeto.

Do lado argentino, a expectativa também é grande. "O Llama é um sonho transformado em realidade. Não foi fácil, mas fizemos um bom trabalho com os colegas brasileiros. Pessoalmente, é uma grande responsabilidade e um enorme orgulho poder contribuir para melhorar as condições de investigação astronômica para as gerações atuais e futuras de ambos os países" ressaltou Marcelo Arnal, responsável pelo projeto no país vizinho.

Ao que tudo indica, a construção desse novo telescópio em terras argentinas promete colocar ambos os países em um lugar de maior importância em um contexto internacional. O céu, nesse caso, não é o limite.

* MARIANA NERY participou do 1º Programa de Treinamento em Ciência e Saúde, que tem patrocínio institucional da Pfizer


Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 13/08/2013

Comentário: Bom leitor, a notícia é muito boa e demonstra mais uma vez o quanto a astronomia brasileira tem crescido nos últimos dez anos. Entretanto, com o governo que temos, será que esse telescópio será mesmo construído em cerca de dois anos e meio? Tenho cá minhas dúvidas quanto a isso. Além disso, € 12 milhões não me parece um orçamento realista para um telescópio, a não ser que seja um projeto bem pequeno, mas enfim... Sabe leitor, o que eu realmente gostaria de ver era um projeto conjunto entre o Brasil, a Argentina e o Chile na área de Astronomia Espacial. Como por exemplo, o desenvolvimento de um telescópio espacial para ser posicionado após a órbita da LUA. Isso sim seria um projeto muito significativo e que traria enormes benefícios de ordem tecnológica, científica, de formação profissional e de envolvimento de diversas empresas dos três países. É um desafio? Claro que é, mas é aí que está a motivação das grandes realizações. As comunidades astronômicas dos três países parecem-me que já estão preparadas para algo assim, e o único empecilho é a falta de visão e de atitude de nossas sociedades e de nossos governos, uma pena.

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