Segue abaixo uma
matéria publicada hoje (03/07) no site do jornal
“Valor Econômico” destacando que o Brasil está desenvolvendo Satélite em parceria com a Alemanha.
Duda Falcão
Brasil Desenvolve Satélite em
Parceria com
Alemanha
Por Virgínia Silveira
Valor Econômico
Valor Econômico
Há 12 horas e 48 minutos
03/07/2012
![]() |
O Brasil está desenvolvendo um novo foguete
em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) para lançar o experimento
científico Shefex 3 (da sigla em inglês Sharp Edge Flight Experiment). Trata-se
de um programa europeu que vem testando o comportamento de novos materiais e
tipos de proteção térmica necessários para o desenvolvimento de tecnologia de
voos hipersônicos e de veículos lançadores reutilizáveis.
Enquanto o novo foguete, batizado de VLM-1
(Veículo Lançador de Microssatélites) não fica pronto, o Programa Europeu de
Microgravidade vem usando, desde 2005, os foguetes de sondagem desenvolvidos
pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço, órgão de pesquisa e desenvolvimento do
Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial.
O centro alemão está bancando 25% dos custos
de desenvolvimento do VLM-1, cujo investimento total é estimado em R$ 100
milhões. A Agência Espacial Brasileira está destinando R$ 10 milhões ao projeto
para este ano.
O foguete brasileiro vai atender às
necessidades do programa espacial alemão e entrar em um nicho de mercado pouco
explorado. "Os concorrentes do VLM são os foguetes de grande porte, que
levam os microssatélites de carona. Não existe no mercado um veículo específico
para o lançamento de microssatélites e nanossatélites, segmento que está
crescendo muito devido à miniaturização da tecnologia eletrônica",
explicou o coordenador do projeto no Instituto de Aeronáutica, Luís Eduardo
Loures.
No dia 24 de junho, um foguete de sondagem
brasileiro VS-40 lançou o experimento Shefex 2, a partir do Centro de Andoya,
na Noruega. O foguete brasileiro VSB-30 já realizou 13 missões bem-sucedidas na
Europa em parceria com a organização alemã. No total, o Brasil já conseguiu
atingir a marca de 18 lançamentos sem falhas com seus foguetes de sondagem
VS30, VSB-30 e VS-40.
Centro alemão vai arcar com
25% do projeto,
que poderá
receber
investimento total
de R$ 100 milhões
A operação do Shefex 2, financiada pela
Alemanha, teve um custo € 10 milhões. Considerado o principal programa espacial
da Alemanha, o Shefex 2 consumiu outros € 6 milhões no desenvolvimento do
experimento que foi lançado pelo foguete brasileiro.
Loures explicou que a principal diferença do
novo foguete, que está sendo desenvolvido para suportar a missão Shefex 3 em
2015, está na capacidade dos motores. O veículo leva menos de 5 toneladas de
propelente (combustível de foguete), enquanto o VLM-1 poderá levar cerca de 28
toneladas desse combustível.
O projeto do Shefex 3 também já está sendo
feito em parceria com a indústria brasileira, que negocia a formação de um
consórcio para participar desse novo desenvolvimento. "Estamos criando um
projeto que dará sustentabilidade para a indústria nacional, porque o produto
final tem mercado e um custo de lançamento baixo, inferior a US$ 10
milhões", ressaltou.
Concorrentes do porte do lançador americano
Taurus, por exemplo, segundo Loures, têm um custo de lançamento da ordem de US$
20 milhões. Loures comentou que outros foguetes estrangeiros, como os russos
Dnepr e o Cosmos, e o indiano PSLV têm um custo da ordem de US$ 25 milhões a
US$ 30 milhões, mas foram projetados para lançar cargas acima de mil quilos em
órbita baixa.
Os microssatélites, segundo Loures,
apresentam como vantagem o baixo custo de produção, nível de complexidade
reduzido e ciclo de desenvolvimento rápido. "Devido à demanda crescente,
já existe um mercado identificado para pequenos foguetes do porte do VLM-1 de
três lançamentos por ano, segundo a agência americana Federal Aviation
Administration (FAA)", disse ele.
O pesquisador comentou que alguns estudos já
indicam um mercado ainda mais promissor, de cerca de 20 lançamentos anuais. O
ciclo de desenvolvimento dos microssatélites é de dois anos, mas como eles são
lançados com satélites maiores, precisam esperar até um ano para conseguir uma
vaga nos lançadores de maior porte.
Rapidez na Produção e Leveza com Fibra de Carbono
O lançamento do experimento científico alemão Shefex 3 será feito pelo foguete brasileiro VLM-1, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O veículo possui três estágios e pode ser utilizado como foguete de sondagem para cargas úteis (microssatélites e nanossatélites) mais pesadas, de até 500 quilos. No total, o VLM-1 pesará 28 toneladas.
Rapidez na Produção e Leveza com Fibra de Carbono
O lançamento do experimento científico alemão Shefex 3 será feito pelo foguete brasileiro VLM-1, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O veículo possui três estágios e pode ser utilizado como foguete de sondagem para cargas úteis (microssatélites e nanossatélites) mais pesadas, de até 500 quilos. No total, o VLM-1 pesará 28 toneladas.
"Adotamos a estratégia de desenvolvimento simplificado com projetos que já funcionam bem", explicou o coordenador Luís Eduardo Loures, do Instituto de aeronáutica e Espaço.
O pesquisador citou como exemplo o segundo estágio do foguete VS40-M, que lançou o Shefex 2 recentemente e tem 90% de similaridade com o terceiro estágio do VLM-1. A parte eletrônica do VLM, segundo Loures, corresponde a 70% da eletrônica que está sendo adotada para o Veículo Lançador de Satélites, em fase final de desenvolvimento.
O primeiro e segundo estágios do novo foguete, porém, terão um motor novo, batizado de S50, o maior motor foguete já feito pelo Brasil. O diferencial do S50, segundo Loures, é que ele está sendo feito em fibra de carbono, o que garantirá um desempenho estrutural melhor, além de pesar menos que os motores metálicos.
O tempo de produção também é considerado uma vantagem, pois pode ser fabricado em apenas três meses, comparado a um motor foguete metálico, que leva de 18 a 20 meses. Outro diferencial do VLM-1 é o desenvolvimento em parceria com a indústria nacional.(VS)
Fonte: Site do Jornal
Valor Econômico - 03/07/2012 - http://www.valor.com.br/
Comentário:
Bom leitor, a notícia que essa matéria do Jornal Valor Econômico trás de nova é
a participação do DLR com 25% dos custos do projeto do VLM-1. Entretanto é
preciso que fique claro que o Brasil não está envolvido com o projeto do
Shefex-3 como a matéria parece indicar em dado momento. Até onde sabemos, o envolvimento
da indústria brasileira se limita ao projeto do VLM-1 e só, apesar do DLR ter
colocado já algum tempo o Programa SHEFEX como um programa aberto a parcerias
internacionais, coisa que citamos aqui no blog ano passado, na esperança de que
o Brasil se interessasse pelo assunto. Ou seja, se não houve nenhuma reviravolta nesta história, que
fique claro que o Brasil não está envolvido com o Programa Shefex, apesar do
IAE ter um acordo em curso com o DLR visando o desenvolvimento conjunto de
tecnologia de reentrada atmosférica para ser aplicada inicialmente no Projeto
do SARA Orbital. Outra coisa, a data de lançamento do VS-40/Shefex-2 não foi
24/06 como citada na matéria, e sim 22/06. Além disso, no que diz repeito aos
foguetes brasileiros usados além mar, na realidade até agora só foram utilizados
os foguetes Sonda III (Operação Ionosfera I e II – EUA, 1983), VSB-30,
VS-30/Orion e agora o VS-40, ou seja, o VS-30 jamais foi lançado de fora do
Brasil.

Nenhum comentário:
Postar um comentário