Diretor do INPE Demonstra Interesse em Ficar no Cargo
Olá leitor!
Segue abaixo uma
nota postada hoje (09/05) no site do jornal “O VALE” destacando que em entrevista
ao jornal o 'demissionário' diretor do INPE, Gilberto Câmara, demonstra interesse
em permanecer no cargo.
Duda Falcão
NOSSA REGIÃO
Demissionário, Diretor
do INPE
Afirma Que Quer Ficar no Cargo
Em entrevista
exclusiva a O VALE, Gilberto Câmara diz
que decisão
sobre sua saída está nas mãos do ministro
de C&T,
Marco Antonio Raupp; diretor também nega
irregularidade
em contratos com a FUNCATE.
Tânia Campelo
Editora do BOM DIA
09 de maio de
2012 - 03:00
Thiago Leon
Nove meses após pedir sua demissão, o diretor do INPE,
Gilberto Câmara, afirmou ontem, em entrevista exclusiva a O VALE, que gostaria
de continuar na direção do instituto, com sede em São José.
“(Minha permanência no cargo) depende do ministro. Minha
relação com ele é muito boa. Com ele, eu consigo trabalhar bem”, disse Câmara.
O diretor pediu demissão em agosto passado mas aguarda a
nomeação do seu substituto desde janeiro,
quando Marco Antonio Raupp assumiu o Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação.
Câmara negou possíveis irregularidades em contratos
firmados com a FUNCATE (Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais)
e o suposto uso de ‘caixa 2’ pelo instituto, suspeita investigada pelo TCU
(Tribunal de Contas da União), como revelou O VALE na última sexta-feira (veja
quadro nesta página).
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
O senhor utiliza a FUNCATE para
driblar a legislação que impede o INPE de contratar pessoal?
Não driblamos nenhuma lei. Os
contratos com a FUNCATE são feitos com base na legislação. Primeiro o governo
lançou uma medida provisória, que foi transformada em lei (12349/2010) e
regulamentada pelo decreto (7423/ 2010).
O que mudou?
Essa lei rompe um impasse. Eu não
posso condicionar cada novo projeto à contratação de servidores públicos,
porque isso não vai acontecer.
Só para ter uma ideia, no caso
desse último contrato do CBERS, a FUNCATE colocou 60 funcionários. Essa lei
permite que eu saia da situação de completa incapacidade de responder ao
governo, responder a novos desafios.
Mas os advogados da Coordenadoria
Jurídica da União em São José deram parecer contrário nestes quatro contratos.
Eu tenho outros pareceres da
consultoria jurídica do MCT que dizem que é certo que eu possa contratar a
fundação, sem licitação.
Mas o INPE já contratava a
FUNCATE sem licitação antes da nova lei de 2010?
Nós nunca fizemos um contrato
como este com a FUNCATE antes de a lei permitir.
Nos outros contratos, ela
prestava um determinado serviço pra gente. Existia a Lei das Fundações, a lei
10.923 e a lei 8.666, que permitiam a contratação de fundação por dispensa de
licitações em casos específicos. Mas em 2008 o TCU barrou, disse que a
contratação da fundação por dispensa de licitação a titulo de desenvolvimento
institucional é ilegal.
O ano de 2009 foi gasto com
debates entre a comunidade cientifica, reitores e Tribunal de Contas até que
saiu a lei. Primeiro foi a Medida Provisória porque os reitores não estavam
aguentando mais a situação totalmente precária.
Então a nova lei resolveu o
problema...
Ela complementa para o
atendimento de novas missões o nosso trabalho. O INPE continua limitado à
esfera da administração pública mas agora temos um espaço de manobra que não
tínhamos. Mas já existe discussão no âmbito político de ampliar essa esfera
público não-estatal. Se você pegar, por exemplo, o ministro Raupp, por exemplo,
tem uma postura muito favorável à existência da esfera pública não estatal.
Basta pegar o Parque Tecnológico de São José dos Campos, é um modelo público
não estatal.
O Raupp é totalmente a favor
desta linha, ele praticou isso. Claro que não é unanimidade no governo. Como os
órgãos de controle, a AGU (Advocacia-Geral da União), TCU e CGU (Controladoria
Geral que ainda têm dificuldade para aceitar isso.
E o senhor sofre pressão por
defender esta postura?
Quem está disposto a ir contra a
‘ortodoxia’ sempre paga um preço por isso.
Em 2008 o INPE cancelou uma
concorrência pública, em que permitia a participação de empresas brasileiras
consorciadas à estrangeiras e acabou contratando a empresa argentina INVAP, sem
licitação, por R$ 42 milhões. Por que?
O edital não foi cancelado pelo INPE,
foi pela Justiça. Lançamos quatro editais e todos foram suspensos pela Justiça
após recurso das empresas concorrentes.
Por que?
Havia quatro empresas brasileiras
associadas a quatro empresas internacionais e com elas queriam derrubar a outra
para poder ganhar o contrato.
Quando a Justiça suspendeu o
edital pela quarta vez, nós concluímos que o que a gente tentava fazer não
estava funcionando. O modelo era contratar uma empresa brasileira associada a
uma empresa brasileira associada a uma empresa internacional, porque nenhuma
empresa brasileira tinha experiência.
As licitações não andavam porque
não tinha uma empresa nitidamente melhor que a outra e todas entravam na
licitação para derrubar a outra.
E qual foi o modelo adotado para
justificar a contratação direta da INVAP?
Quando chegamos nesse ponto,
fizemos uma reunião de crise, e a história foi ‘pensar fora da caixa’. E para
nós o sistema de controle é algo crucial. Por exemplo, a Embraer não tem o
sistema de controle de nenhum de seus aviões. Então vimos que o modelo que
estava na nossa cabeça nesse tempo era errado e chegamos à conclusão que
tínhamos que contratar uma empresa que fizesse aquilo que as quatro empresas
estrangeiras não estavam afim de fazer -- elas estavam a fim de vender uma ‘caixa
preta’ (sem transferência de tecnologia) e nós precisávamos de uma ‘caixa
branca’.
Quem desse o direito de usar o
software da acesso a essa tecnologia, permitir a participação no
desenvolvimento e ainda dar ao INPE o direito de reusar essa tecnologia em
outros satélites. Então pensamos da INVAP, nenhuma empresa europeia ou
norte-americana concordaria em fazer isso.
Porém a INVAP não tem histórico
reconhecido.
Mas a INVAP foi treinada pela NASA
(agência espacial norte-americana) e o preço que a gente pagou foi igual ou
menor ao preço que a gente pagaria por uma ‘caixa preta’. Foi sim uma decisão
controversa. Mas estamos fazendo vários satélites com a INVAP.
O Amazônia 1 tem software da
INVAP e se sair o projeto com a NASA que estamos negociando, vamos usar o mesmo
software.
O que o senhor acha da integração
do INPE à AEB (Agência Espacial Brasileira)?
Há discussão de que forma o INPE
vai integrar a agência.
Mas o senhor concorda com esta integração?
Meu sonho de consumo é o modelo
da NASA e o JPL (Jet Propulsion Laboratory). É um sonho de consumo muito alto,
mas os Estados Unidos são nossa referência. No JPL que é um laboratório da NASA,
eles fazem sondas interplanetárias, só tem funcionário equivalente aos nossos
celetistas. Não tem servidor público. Mas se for para ter uma integração
apenas, o INPE ficaria como está hoje, seria apenas uma divisão do da AEB.
Qual seria o modelo ideal de
integração? É possível fazer como nos EUA?
Tecnicamente sim. Por que o INPE
não pode virar uma empresa, como a Embrapa, vinculada à AEB? Legalmente, isso é
possível.
Esse modelo está em estudo?
Têm posições a respeito, não
existe um estudo oficial, mas há quem defenda junto ao ministério essa posição.
Eu defendo que o INPE vire uma
empresa estatal, sairíamos da esfera da administração direta.
O ministro Raupp é favorável a
este modelo?
O ministro gosta disso, porque
ele vê isso, não existe Estado sem agência do Estado --tem que ter um órgão do
Estado, neste caso a AEB.
O senhor mudou de ideia a
respeito do pedido de demissão? Gostaria de ficar na direção do INPE até o
final de seu mandato em 2013?
Não sei, depende do ministro. Eu
estou evidentemente em uma situação melhor. Minha relação com ministro Raupp é
pessoalmente muito boa. Eu o conheço desde que ele foi diretor do INPE (1985 a
1988). É uma relação muito mais tranquila, eu consigo trabalhar bem e ele tem
confiança em mim. Eu estou enquanto ele quiser, estou à disposição do ministro.
A gente serve ao país, eu tenho
uma carreira científica, com muito respeito internacional, posso sair amanhã e
retomar minhas atividades ou até o final do meu mandato, se assim o ministro
quiser.
MCTI diz que nome de novo diretor
vai sair neste mês
São José dos Campos - O MCTI
(Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) informou, por meio de sua
assessoria de imprensa, que o nome do diretor do INPE deve ser anunciado ainda
este mês.
Questionada sobre a possibilidade de manutenção de
Gilberto Câmara no cargo, a assessoria informou que a hipótese não está
descartada.
Sobre a integração do INPE à AEB, a assessoria informou
que estão sendo realizadas reuniões temáticas e de planejamento no âmbito do
MCTI para analisar o modelo de governança que será implementado na integração
do INPE com a AEB. A assessoria informou que a possibilidade de transformar o INPE
em uma empresa estatal é uma dos vários modelos em estudo.
O MCTI não informou quando pretende iniciar a fusão dos
dois órgãos.
AEB - O matemático José Raimundo Braga Coelho, nomeado
presidente da AEB na última sexta-feira, disse ontem, em entrevista ao O VALE,
que neste momento a prioridade não é a discussão do modelo de gestão, mas a
forma como será feita a integração do INPE à Agência Espacial Brasileira.
Ele afirmou que a integração tem como objetivo fortalecer
os dois órgãos.
“Primeiro temos que proporcionar o fortalecimento do
sistema e ao longo deste caminho se for necessário definir um novo modelo de
gestão vamos fazer”, disse.
Para ele, transformar um órgão público em uma empresa não
é muito simples no Brasil. Ele afirmou que são necessários criar instrumentos
próprios, legais e bem definidos pela lei.
“Precisamos analisar tudo com muito critério. Mas hoje
não há uma inclinação para isso, não há uma proposta”, afirmou Coelho.
Ele disse que não há prazo definido para ocorrer a
integração do INPE à AEB.
Fonte: Site do Jornal
“O VALE” - 09/05/2012


Comentários
Postar um comentário