Servidores Se Aposentam e Não Há Reposição de Pessoal

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado no “Jornal do SindCT” de setembro de 2011, editado pelo “Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de C&T (SindCT) ” informado o grave quadro que passa o DCTA/INPE, devido a aposentadoria de seus servidores sem que haja a adequada reposição de pessoal e conseqüentemente o repasse de conhecimento a nova geração.

Duda Falcão

PERIGO DE ESVAZIAMENTO: Sem Concurso Sobram Lugares Vazios

Servidores Se Aposentam e
Não Há Reposição de Pessoal

A continuidade dos projetos é a grande preocupação
dos que se aposentam. Servidores têm amor pelo trabalho
e não querem que a memória tecnológica se perca.

Por Fernanda Soares

A carreira de C&T está perdendo seu pessoal especializado. Desde o ano passado, dezenas de servidores do INPE e DCTA entram com pedidos de aposentadorias e não há concursos para a reposição deste pessoal. Yukari Yoshioka Iamamura, tecnologista sênior, foi servidora do IAE por 28 anos. Ela é uma das especialistas que deixou a instituição neste ano.


Yukari trabalhava no laboratório químico dando apoio a projetos da área espacial do sistema de defesa. Diferentemente do que ocorre com muitos servidores, Yukari pôde passar seu trabalho para uma engenheira química, porém militar. Ela também era responsável por um elo da Qualidade da Divisão de Sistemas de Defesa.

Essa função transmitiu a um colega, servidor já antigo no DCTA. “Os servidores que entraram na década de 80 estão se aposentando agora. É uma grande perda de recursos humanos, de pessoas bem especializadas. E quem pega essa herança?”. Na Divisão de Materiais (AMR), do IAE a preocupação dos servidores é a mesma.

Roseli de Fátima Cardoso e seu colega, ambos técnicos em química, são os únicos no laboratório de química dessa divisão.

Eles já completaram 27 anos de trabalho. “Todos os técnicos em química do IAE têm em torno de 27 a 29 anos de trabalho”, diz Roseli. Em pouco tempo esse pessoal estará se aposentando e não há novos servidores para aprender com as pessoas mais experientes.

Tetunori Kajita, pesquisador e servidor do DCTA desde 1973, pediu a aposentadoria em março deste ano. Kajita trabalha com blindagem balística para aeronaves e também precisou passar seu trabalho para colegas antigos na divisão. A continuidade dos projetos é a grande preocupação de Kajita.

“Não só minha como de todos os colegas. Temos muitos projetos que, se o pessoal se aposentar, param.”

Esta é também a preocupação de Miguel Enrique Saldívia.“O maior problema no DCTA é a falta de concursos para repor os servidores aposentados. Quem sai precisa passar para quem chega a memória tecnológica do DCTA. Caso contrário, o conhecimento vai se perdendo no tempo”, afirma.

Miguel Enrique é tecnologista sênior. Trabalhou no DCTA durante 35 anos. Aposentou- se em 14.07.2011.

Era chefe da Qualidade da Divisão de Materiais do IAE. Eu sempre pratiquei a ideia que todo servidor deveria ter um substituto, aprendi isto de um militar. Assim, quando previ minha aposentadoria conseguimos definir meu substituto e mais tarde me esforcei para reforçar a equipe da Qualidade da AMR. A AMR tem hoje cerca de 70 servidores.

Kajita lembra que este número já chegou a 240, quando desenvolviam menos projetos.

Conhecimento Desperdiçado

Francisco Cristóvão Lourenço de Melo, também servidor da AMR, conta que conseguem desenvolver projetos hoje com a ajuda de bolsistas e alunos.

“Mas são temporários. O governo investe seis anos nessas pessoas e depois a indústria contrata.”

Francisco faz uma dura crítica à falta de concursos e de pessoal qualificado. E exemplifica contando a história de um casal de amigos:

“Os dois estudaram a vida inteira em escolas públicas. Fizeram graduação, pós-graduação e mestrado em universidades federais. Para o doutorado, conseguiram bolsa do governo brasileiro e ficaram quatro anos estudando na Inglaterra. Quando voltaram para o Brasil não conseguiram emprego. Ficaram desempregados por um ano até conseguir trabalho em Portugal. Ou seja, o governo deve ter gasto em torno de 400 mil dólares com a educação de cada um e eles foram aplicar seus conhecimentos e dar retorno desse aprendizado para outro país.”


Fonte: Jornal do SindCT - Setembro de 2011.

Comentário: Veja você leitor nas linhas desse pequeno artigo do “Jornal SindCT”, o porquê de minha grande revolta com o energúmenos militantes por décadas a fio nos bastidores da obscura capital federal e por todo território nacional. Gente de sorriso fácil, menestréis de carreira, travestidos de paletó tipo italiano, escorregadios, irresponsáveis, incompetentes, mas grandes conhecedores da arte de como enganar o povo. Esse problema com os servidores do DCTA/INPE, entre tantos outros que dificultam o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro não são de agora, e já vinha sendo apresentados a presidentes, ministros, senadores, deputados, servidores de alto escalão do governo, debatido no Congresso, em reuniões fechadas entre a classe científica e políticos, em congressos, workshops, audiências públicas, em visitas oficiais de políticos do Congresso e do Governo Federal as instituições do programa, desde o início da década de 90, e simplesmente mesmo assim esta é a atual situação do PEB. Fazer o que? Costumo dizer para meus amigos aqui na Bahia que se bala perdida tivesse sentimento, não ficava um energúmeno desses em pé, coisa que certamente a nação agradeceria e todos eles seriam enviados para onde merecem.

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