domingo, 18 de julho de 2010

O Objeto

Olá leitor!

O blog BRAZILIAN SPACE traz para você um curioso e intrigante relato escrito pelo astronauta Marcos Pontes em 29/10/2008 que era de nosso total desconhecimento e que levanta certos questionamentos.

Duda Facão

O OBJETO

Marcos Pontes
29/10/2008

A sala ficava no final de um corredor pouco iluminado. Não havia nenhum nome na placa oxidada encaixada na moldura ao lado da porta. Pela poeira, parecia que ninguém havia estado por ali há anos.

O oficial Russo destrancou a porta e me convidou a entrar. O ar era pesado. Uma mistura de fumaça de charuto e tapete velho. Ele entrou tateando pelo interruptor. A luz era fraca e concentrada sobre uma escrivaninha escura, pesada, quase vazia. Sobre ela, apenas uma folha de papel branco e uma caneta comum. O oficial mostrou um sofá vermelho no canto direito da sala. Sentei. Ele saiu.

Comecei a reparar nos móveis daquela sala. Pouca coisa. Um sofá, uma escrivaninha, uma estante vazia, muita poeira.

O meu entrevistador chegou alguns minutos depois. Um senhor alto, de terno preto, sem sorrisos e de fala lenta. Levantei e o cumprimentei com um aperto de mão. Ele apresentou-se simplesmente como Nicolai. Não trazia nada nas mãos. Deu a volta na mesa e sentou-se na cadeira surrada da escrivaninha. Fiquei em pé diante da mesa.

Em silêncio, olhou por alguns instantes para o papel em branco. Parecia estar preparando mentalmente o “discurso”.

Pegou a caneta, fez um risco horizontal no meio da folha, olhou para mim e perguntou: “Afinal, como era o veículo?”

Ninguém havia me dito sobre a razão do encontro, mas eu desconfiava. Disse a ele que não houve tempo suficiente para uma visão detalhada. Além disso, a intensidade das luzes ofuscava bastante.

“Qual era a cor das luzes?”, ele perguntou.

“Oscilavam rapidamente entre branco, azul e laranja claro.”

“Havia algum ruído?”

“Não. Apenas um tipo de vibração, como se tudo, inclusive meu corpo, estivesse dentro de um grande transformador elétrico.”

“Alguma dor?”

“Não. Apenas arrepios.”

Ele parou por um instante e escreveu as letras K, M e A na parte superior do papel. Olhou para mim fixamente e tirou uma foto da gaveta da escrivaninha. “Parecia com isto?”

Era uma foto desfocada de um veículo brilhante, sobre um lago.“Difícil de dizer”, eu respondi tentando ver mais detalhes na foto. “As condições eram bem diferentes, mas de forma geral, o formato parece o mesmo.”

Ele abriu outra gaveta, tirou um charuto da caixa e acendeu. Sua expressão tornou-se ainda mais séria. Pelo celular ele chamou por alguém. O oficial entrou em seguida e falou algo no seu ouvido. Ele apenas balançou a cabeça afirmativamente. O oficial saiu. Ele circulou a letra K na folha de papel.“Você está bem, alguma reação, ou efeito tardio?”, perguntou ainda apoiando a caneta no papel.

“Tudo bem. Nada diferente, pelo menos que eu tenha percebido.”

O oficial entrou trazendo uma caixa de metal. Deixou sobre a mesa e saiu sem dizer qualquer palavra. O entrevistador abriu a caixa cuidadosamente, retirando um objeto enrolado em um tecido preto. Desenrolou o pano parcialmente e expôs o objeto em sua mão. “Você reconhece este objeto?”

“Sim”, respondi sem pensar. Aquele objeto havia “aparecido” no interior da nossa cápsula, instantes depois da aproximação do veículo brilhante. Era um tipo de bastão metálico de exatos 161.8 milímetros de comprimento, secção transversal triangular equilátera de 23 milímetros, e com estranhos caracteres (desenhos) gravados em relevo. O material era como aço inoxidável, mas extremamente leve. Na verdade, completamente “sem peso”. Coisa que só pudemos perceber, espantados, depois do pouso, enquanto ele continuava a flutuar no interior da cápsula, como se ainda estivéssemos no espaço! “Vocês fizeram todos os testes com ele?”, perguntei.

“Sim. Todos aqueles que nós conhecemos”, ele respondeu olhando desanimado para o objeto.

“E então?”

“Isso conversaremos mais tarde.”

Tenho certeza que muitos gostariam que essa conversa fosse verdadeira. Mas, nesse caso, ela talvez fosse secreta também. Então, por que razão ela seria escrita? Não! Isso não seria lógico! Isso é apenas ficção!

Marcos Pontes

Colunista, professor e primeiro astronauta profissional lusófono a orbitar o planeta, de família humilde, começou como eletricista aprendiz da RFFSA aos 14 anos, em Bauru (SP), para se tornar oficial aviador da Força Aérea Brasileira (FAB), piloto de caça, instrutor, líder de esquadrilha, engenheiro aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), piloto de testes de aeronaves do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), mestre em Engenharia de Sistemas graduado pela Naval Postgraduate School (NPS USNAVY, Monterey - CA).

Fonte: Site www.marcospontes.net

Comentário: Intrigante relato escrito pelo nosso astronauta que insinua um possível contato com seres alienígenas durante a sua viagem de retorno a terra depois de passar oito dias abordo da Estação Espacial Internacional em 2006. Realidade ou ficção? O blog no momento não tem como responder a isso, no entanto é bastante intrigante que o astronauta tenha escrito esse relato deixando mais duvidas do que certezas. Para aquele leitor que duvida da origem desse relato é só visitar o tópico “Artigos” do site oficial do astronauta pelo link acima e confirmar a autoria do mesmo. Realmente o fato é intrigante.

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