segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mais um Discurso do Dep. Ribamar Alves no Plenário


Olá leitor!

Segue abaixo na íntegra mais um discurso do deputado Ribamar Alves (PSB-MA) pronunciado na tribuna da Câmara Federal dia 20/08 destacando o Programa Espacial Brasileiro e a Alcântara Cyclone Space (ACS).

Duda Falcão


O SR. RIBAMAR ALVES - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Frente Parlamentar em Defesa do Programa Espacial Brasileiro, que presido, esteve reunida no último dia 12, quando deliberou por apresentar uma nota de total e irrestrito apoio ao Centro de Lançamento na Base Espacial de Alcântara, no Estado do Maranhão, apoiando a empresa binacional Alcântara Cyclone Space - ACS, a expansão do programa, desde que sejam respeitadas a Constituição Federal e a integridade dos povos que lá habitam.

Sr. Presidente e caros colegas, atendendo ao convite do Ministro da Ciência e Tecnologia, Dr. Sérgio Resende, acompanhei a comitiva que fez uma visita à Base Espacial de Alcântara.

A comitiva comandada pelo Ministro Sérgio Resende era composta pelo Brigadeiro Salmerón, pelo Senador Edison Lobão Filho, pelo Presidente da Agência Espacial Brasileira, Dr. Carlos Ganen, e por membros do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Alcântara Cyclone Space, bem como do Diretor da ACS, pelo lado ucraniano, Dr. Alexander Sergiouk. Lá fomos recebidos pelo Coronel Andrade, que nos mostrou as instalações e o laboratório de onde foi comandado o lançamento de um foguete experimental do programa VHS. [Senhor Deputado Ribamar Alves, o lançamento que o senhor esta se referindo foi de um foguete FTB (Foguete de Treinamento Básico) da “Operação FogTrein I” (o segundo lançamento do mesmo foguete dessa mesma operação) que é um foguete de treinamento da Avibrás e não tem nada a ver com o “Programa do VLS” e não “Programa VHS” que o senhor relatou. Caso o senhor não saiba “VHS” significa “Video Home System” (Sistema de Vídeo Caseiro). Um sistema de gravação de áudio e vídeo inventado pela empresa JVC que foi lançado em 1976. O mesmo era composto de fitas de vídeo e de um equipamento de gravação e reprodução que permitia o registro de programas de TV e sua posterior visualização]

O Ministro Sérgio Resende fez a contagem regressiva para o lançamento do foguete, que percorreu com segurança uma trajetória de 53km, cumprido fielmente os objetivos traçados .

Em seguida, fomos brindados com uma bela exposição do Brigadeiro Salmerón que nos deixou bastante satisfeitos e convencidos de que o Brasil mais do que nunca está no caminho certo para a conquista do espaço e deter o conhecimento da tecnologia espacial.

Fizemos um sobrevôo sobre a área que será utilizada pela ACS para instalar o seu sítio de lançamento; visualizamos todo o território ocupado pela Base Aérea e, por último, sobrevoamos a cidade de Alcântara.

À tarde a comitiva seguiu rumo ao encontro da Governadora Roseana Sarney; fomos recepcionados por vários Secretários de Estado, Deputados Estaduais, ocasião em que foi assinado o convênio do MCT com a Secretaria de Infraestrutura do Estado do Maranhão para a reconstrução da estrada que liga o Cujupe, onde atracam os ferry-boats, até a cidade de Alcântara, passando pela Base Espacial. O valor do convênio foi da ordem de 30 milhões de reais e mais 10 milhões de contrapartida.

Essa estrada é de vital importância para a consecução e êxito do projeto, pois por ela serão transportados todos os componentes dos foguetes e equipamentos necessários para o bom funcionamento do programa. Quero aqui ressaltar a presteza com que o Governo do Estado se dispôs a executar essa importante obra.

Dessa visita ficou a certeza de que o projeto Cyclone IV, fruto da parceria do Brasil com a Ucrânia, será em breve, já em 2010, uma realidade e a de que o Brasil passará a participar desse seleto grupo de países que dominarão a tecnologia espacial. [Senhor deputado, desculpe-me, mas isso não é verdade, não existirá domínio algum de tecnologia com a operacionalização da ACS, a não ser que se venha assinar um outro acordo. No entanto, para isso sutir algum efeito prático levaria pelo menos uns 10 anos, já que teríamos de esperar que o acordo fosse primeiro homologado pelo Congresso, o que em média tem levado 5 anos.]

Mas, Sr. Presidente, apesar de todo o nosso otimismo ainda há um longo caminho a percorrer, muitos obstáculos a serem transpostos, pois vários empecilhos se colocam à nossa frente com o intuito único de barrar o avanço do nosso País rumo a essa corrida, que, entre outras coisas, gera emprego, renda, envolve profundos estudos de tecnologia avançada e gira recursos da ordem de 10 bilhões de dólares. Vozes ocultas, em muitos países, não querem que o Brasil avance. Estão falando, inclusive, em retirar do Maranhão esse belo e grande projeto. [ Senhor deputado, se o senhor esta se referindo aos acordos com os alemães da DLR (que envolve parceria e troca de tecnologias na área de foguetes de sondagem e de plataformas espaciais) e com os russos, envolvido com o “Programa VLS” e seus derivados e também com o até agora incerto "Programa de Lançadores Cruzeiro do Sul” quando diz: envolve profundos estudos de tecnologia avançada - o senhor esta coberto de razão, já se o senhor esta se referindo ao acordo com os ucranianos, das duas uma, ou o senhor está mal informado ou esta de má fé.]

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Maranhão tem o privilégio de ter a posição mais importante do mundo para lançamento, porquanto Alcântara está há 2 graus da linha do Equador, o que facilita o lançamento de foguetes e de forma econômica, uma vez que podemos ter cerca de 30% de economia de combustível.

Mesmo assim, estamos enfrentando dificuldades as mais diversas possíveis e inimagináveis, mas, ao tempo em que temos dificuldades, tivemos a sorte de termos na Presidência da República um cidadão brasileiro, nordestino, com uma sensibilidade apurada e cônscio de levar o Brasil para um patamar de respeito interno, com programas de resgate da cidadania e externo, com um programa de defesa de suas fronteiras e de conquista da sua independência do controle da tecnologia espacial. [ Não posso deixar de concordar senhor Deputado (apesar de achar que poderia se ter feito muito mais) que no governo do Presidente Lula o PEB avançou mais que nos últimos governos, mas é claro e inegável que o mesmo esta muito mal assessorado.]

Mas, não basta apenas termos um Presidente com boa vontade. Para levarmos adiante esse projeto necessário se fez que se construísse uma equipe hegemônica e competente. Foi assim com o Ministro Sérgio Resende, ilustre brasileiro, membro da Academia Brasileira, competente físico, que se dedica diuturnamente às causas afeitas ao seu Ministério e que não mede esforços para ver o programa espacial avançar e se concretizar. Sou testemunha do seu esforço pessoal para ver o Brasil avançar e conquistar esse mercado importante e vital para o desenvolvimento em todos os campos de trabalho.

Na Agência Espacial Brasileira outro grande brasileiro assumiu o comando, Dr. Carlos Ganen, que tem dedicado, da mesma forma, o seu tempo de trabalho e, mesmo fora do trabalho, à causa do programa espacial, viajando para outro países e Estados, estudando, discutindo e, assim, o programa tem avançado.

Mas, sem sombra de dúvidas, a grande aquisição do Governo Lula deu-se na construção da parceria com o Governo ucraniano, que se coloca à disposição do Brasil na transferência de tecnologia, o que nos traz a certeza de que em breve estaremos com todo o domínio tecnológico. [ Senhor deputado, mais uma vez o senhor está equivocado, o acordo com os ucranianos não trará qualquer grande benefício ao Brasil, simplesmente por ser um acordo comercial onde o domínio tecnológico do mesmo será dos ucranianos, sem qualquer tipo transferência tecnológica para o Brasil e a empresa será vista no mercado internacional como uma empresa composta por capital brasileiro e ucraniano com tecnologia ucraniana para lançamento de satélites de médio e grande porte, nada mais do que isso.]

Foi criada a empresa binacional Alcântara Cyclone Space e convidado para ser o seu diretor geral no Brasil o nosso grande e brilhante companheiro Roberto Amaral, brasileiro com sangue repleto de brasilidade, nacionalista convicto, humanista, dedicado a levar ao extremo as suas convicções políticas, que discursa e pratica o bom socialismo, que age de acordo com os dogmas socialistas, que tem executado o nosso lema Justiça Social e Liberdade.

Foi sob a égide desse grande homem que o projeto começou a avançar a passos firmes e sólidos. Dr. Roberto Amaral foi quem se dedicou largamente a montar uma equipe coesa, que se completou com a chegada à diretoria administrativa do Dr. Renato Araújo. Aí os acontecimentos passaram a ser favoráveis ao bom andamento do projeto.

Dr. Roberto Amaral fez várias viagens ao Maranhão, à cidade de Alcântara; realizou audiências públicas; conversou com a comunidade quilombola; conquistou a simpatia do povo alcantarense, obteve apoio do Sr. Prefeito, da Câmara de Vereadores; conseguiu convencer o Ministério da Defesa a ceder o espaço da Base Aérea, para que o sítio de lançamento da ACS fosse feito dentro da área já ocupada, evitando, assim, conflito com as comunidades quilombolas.

Está-se realizando um amplo projeto de inclusão social para as comunidades de Alcântara, por meio de recursos liberados pelo Sr. Ministro Sérgio Resende e capitaneadas pelo nosso Roberto Amaral, no intuito de cumprir acordos firmados à época da instalação da Base Aérea, mas que foram esquecidos pelos Governos passados. Assim, Roberto Amaral, avança a passos largos; o Governo passa a ganhar a confiança do povo e, com certeza, a expansão, que no futuro será de extrema necessidade, poderá ser feita através do diálogo e sem o uso da truculência e prepotência.

Agora, acreditamos que o projeto de lançamento de foguetes será uma realidade verdadeira e concreta, pois temos essa equipe brasileira, constituída de bravos e competentes guerreiros e, do outro lado, o Governo ucraniano ávido por oportunidade de desenvolver o programa espacial no Brasil, por ser detentor da tecnologia espacial, mas não dispor de local apropriado para o lançamento - diria que é como "unir a fome com a vontade de comer".

Parabenizo os membros da Frente Parlamentar em Defesa do Programa Espacial Brasileiro, o Governo do Estado do Maranhão, o Governo Lula, o Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, o Ministério da Aeronáutica, o Ministro da Defesa, o Ministro da Igualdade Racial, a Alcântara Cyclone Space, a Agência Espacial Brasileira, principalmente, o povo de Alcântara, Prefeito e Vereadores e todos os que direta e indiretamente estão querendo ajudar o Brasil a tornar-se independente de fato e de direito.

Muito obrigado.


Fonte: Site da Câmara Federal

Comentário: Como o leitor pode notar o discurso do Deputado Ribamar Alves é uma vez mais convenientemente em prol da Alcântara Cyclone Space, onde em um único momento do discurso e ainda assim de forma indireta ele cita o “Programa VLS” chamando-o de “Programa VHS”. Além disso, em diversas partes do seu discurso o mesmo vende a idéia aos deputados(as) no plenário e ao povo brasileiro que o assistia pela TV Câmara uma grande mentira, pois volto a alertar que “NÂO EXISTE TRANFERÊNCIA DE TECNOLOGIA NO ACORDO ASSINADO COM OS UCRANIANOS, NEM MESMO DE UM SIMPLES PARAFUSO”. Dizer que o acordo com os ucranianos ajudará no domínio da tecnologia espacial não é verdade e é uma irresponsabilidade política estar-se usando isso para propagar a ACS. Quero deixar claro ao leitor, que não sou contra ao acordo com os ucranianos, muito pelo contrario, no entanto não posso admitir que um acordo que oferece muito pouco ao meu país venha ameaçar acordos altamente benéficos tecnologicamente e em “pleno vigor”, como é o caso do acordo com os alemães e principalmente com os russos que tem mais ligação com esse problema. Esse tipo de comportamento político só gera desconfiança quanto as reais intenções que motivam sua defesa. Lamentável!

domingo, 30 de agosto de 2009

ROEN - Rádio Observatório de Eusébio - CE


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada hoje (30/08) no jornal Diário de Nordeste de Fortaleza destacando a qualidades dos resultados obtidos pelo Rádio Observatório de Eusébio - CE, que possibilitou a renovação do convênio com a NASA por mais cinco anos.

Duda Falcão

Nacional

NASA no Brasil

Roen Monitora Órbita de Satélites

MARCELO RAULINO
Diário do Nordeste
30/08/2009


O rádio observatório de Eusébio é reconhecido pela
qualidade dos resultados obtidos por seus Experimentos
(Foto: Miguel Portela)

A qualidade dos resultados obtidos pelo Rádio Observatório, que fica na unidade do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE), em Eusébio, possibilitou a renovação do convênio com a Nasa por mais cinco anos.

O observatório que funciona desde 1993 - juntamente com uma rede mundial de radiotelescópios, é responsável por detectar irregularidades na rotação da Terra. Esta atividade serve para realizar pequenos ajustes nas órbitas dos satélites.

Sem esses ajustes os satélites da constelação GPS poderiam fornecer informações incorretas. Essas anomalias geofísicas da Terra são decorrentes de atividades vulcânicas e sísmicas, tsunamis, e até o fenômeno climático El Niño.

Há um esforço mundial para que essas medidas de irregularidades da rotação da Terra também possam ser usadas para a previsão de catástrofes naturais como terremotos. O ROEN começou a operar em 1993 e atualmente é coordenado pelo Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, em cooperação com o INPE.

O Rádio-Observatório integra as redes internacionais de VLBI (de Very Long Base Line Interferometry, ou numa tradução livre algo como: interferometria de muito longa linha de base) geodésico e vem contribuindo para o IERS (Serviço Internacional da Rotação da Terra), apoiando programas brasileiros de geodésia, cartografia e navegação fazendo uso de técnicas espaciais, tais como os levantamentos GPS e serviços de Hora Certa. O sistema consiste de uma grande antena de 14,2 metros de diâmetro, dotada da mais moderna e sofisticada instrumentação eletrônica.


Fonte: Jornal Diário do Nordeste de Fortaleza - primeiro caderno - pág. 12 - 30/08/2009

Comentário: Mais um vitória do INPE o que demonstra a qualificação do instituto em várias áreas e também o reconhecimento internacional pelo seu trabalho e competência tecnológica.

PEB Estagnado por Falta de Verbas - Diário do Nordeste


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada hoje (30/08) no jornal Diário de Nordeste de Fortaleza abordando os problemas de recursos e planos do Programa Espacial Brasileiro (PEB).

Duda Falcão

Nacional

Conquista do Espaço

Programa Está Estagnado por Falta de Verbas

A estimativa é que o País precise investir R$ 200 milhões, por ano,
no Programa Nacional de Atividades Espaciais

MARCELO RAULINO
Diário do Nordeste
30/08/2009


O Programa Espacial Brasileiro caminha a passos lentos e já foi ultrapassado
por China e Índia e corre o risco de ficar atrás do Irã e da Coréia do Norte.
Faltam recursos para o setor (Fotos: Agência Brasil)

A Agência Espacial Brasileira (AEB) afirmou que até 2010 vai fazer uma nova revisão (a terceira em 12 anos) do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). O objetivo é que o documento defina prioridades do setor até 2020. Paralelamente, a Câmara dos Deputados através do seu Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica resolveu apresentar emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias para suprir o Programa. O Conselho realizou um estudo e vai encaminhar ao governo documento com sugestões sobre a política espacial.

O estudo foi elaborado através de um ciclo de estudos. Ele aponta alternativas como a transformação do PNAE em uma política de Estado. Os deputados também prevêem o aumento de recursos para a viabilização do programa, que tem como um dos objetivos o lançamento de primeiro satélite geoestacionário nacional, que possibilitará as comunicações e a segurança do espaço aéreo. A intenção AEB é lançar o satélite no prazo de dois anos.

O Conselho verificou que o programa está estagnado por conta do corte orçamentário de 22,5% e por isso decidiu apresentar emenda a Lei de Diretrizes Orçamentárias para que recursos sejam garantidos através do Fundo de Universalização do Sistema de Telecomunicações (Fust), para evitar a descontinuidade do programa.

Fique por Dentro

Programa Substituiu a Missão Espacial em 1996

Publicado em agosto de 1996, em substituição à Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), criada em 1979, o PNAE estabelece objetivos e diretrizes que norteiam as ações governamentais para a Política Nacional de Desenvolvimento de Atividades Espaciais (PNDAE). O MECB foi responsável por estabelecer o primeiro programa espacial brasileiro de grande porte e de longo prazo, ao definir metas como o desenvolvimento de pequenos satélites de coleta de dados.

E é exatamente essa descontinuidade que vem prejudicando o programa espacial brasileiro, que a cada governo sofre mudanças de rumo.

Enquanto o Brasil engatinha com seu programa espacial, outros países emergentes avançam. A China e India, estão muito a frente, inclusive, com previsão de terem missões tripuladas. A China lançou a sua primeira sonda lunar em outubro de 2007, concluindo com sucesso as missões científicas. O país planeja lançar sua segunda sonda antes de 2012.

Segundo informações do Governo chinês, a nave vai pousar em solo lunar, levando um veículo de exploração para realizar a análise do solo. O programa lunar chinês prevê ainda o emprego de mais de 90 tecnologias e projetos ainda em desenvolvimento.

Já a Índia completou no ano passado, com sucesso, sua primeira missão não tripulada à Lua. A sonda lunar se desligou da nave Chandrayaan-1 a aproximadamente 100 quilômetros da superfície da lua e pousou no pólo sul do satélite.

A Chandrayaan-1, uma espaçonave construída pela ISRO (agência espacial indiana), representa um impulso para as ambições espaciais do país. Em abril do ano passado os indianos já haviam colocado dez satélites em órbita, utilizando apenas um foguete. A meta agora é uma missão tripulada para o espaço e depois o próximo passo será Marte.

O Programa Espacial Brasileiro além cortes no orçamento, sofreu recentemente um golpe de misericórdia dado pela Justiça, ao inviabilizar a ampliação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A Justiça acabou reconhecendo uma comunidade quilombola dentro da área do Centro, que tem uma das melhores localizações para lançamentos de foguetes do mundo, por sua proximidade com a linha do equador, que possibilita a economia de combustível e levar mais equipamentos e material de pesquisa. O processo corria na Justiça desde 2003.

É ponto pacífico que a tecnologia espacial é indispensável para o controle de fronteiras, do desmatamento, para previsão do tempo, previsão de safras agrícolas, de fenômenos climáticos, comunicação e porque não dizer do controle de toda a área do pré-sal. Além disso, o domínio da tecnologia aeroespacial é considerada fundamental para um País, como o Brasil que almeja fazer parte de organismos internacionais como o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), já desenvolve tecnologia de produção de satélites e tem como desafio a produção de veículos lançadores de satélites.

A estimativa da AEB é que o Brasil tenha que investir R$ 200 milhões ao ano para desenvolver seu programa espacial, que prevê a implementação de um centro de lançamento de satélites e o domínio da tecnologia necessária para lançá-los e construí-los. Por enquanto, o Plano Plurianual (PPA) só garante a implantação do satélite de monitoramento do espaço aéreo e territorial brasileiro, o Satélite Geoestacionário Brasileiro, mas ainda sem previsão de recursos.

Desde a última revisão, o PNAE teve dois marcos: o lançamento, em 2007, de um satélite CBERS-2B, equipado com três câmeras de alta resolução para monitorar florestas, regiões costeiras e grandes cidades e o sucesso do teste, em 2008, com um dos motores do foguete do veículo lançador de satélites.

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia e atualmente diretor-geral da empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), Roberto Amaral, declarou que o programa espacial brasileiro está em crise. Amaral apontou como as principais dificuldades a falta de coordenação política. Disse ainda que o programa espacial brasileiro está estagnado e vem sendo ultrapassado por países com menor infra-estrutura e menor estabilidade política, como o Irã e a Coréia do Norte. "Começamos a fazer o nosso programa em 1961 e, em 2009, não temos o nosso foguete de lançamento", criticou.

Negócio Lucrativo

País Quer Entrar no Filão Espacial

O Brasil quer entrar no seleto grupo dos países que dominam
todas as etapas de um programa espacial completo, hoje composto
por nove países. Para isso é necessário priorizar o setor.

Em todo o mundo, menos de uma dezena de países domina totalmente as diversas etapas de um programa espacial completo, por ordem de entrada: Rússia (1957), EUA (1958), França (1965), Reino Unido, Japão (1970), China (1970), Índia (1980), Israel (1988) e Irã (2009). Coincidentemente esses mesmos países compõem o ´grupo atômico´, que domina o enriquecimento de urânio e têm tecnologia para produzir a bomba atômica.

O Brasil está buscando se gabaritar para entrar no negócio internacional espacial, que movimentou no ano passado cerca de US$ 170 bilhões. Em recente entrevista o presidente da AEB. Carlos Ganem afirmou que ficar de fora desse filão é desperdiçar uma oportunidade única.

Ganem, ao se pronunciar em reunião do Conselho de Altos Estudos Tecnológicos da Câmara, destacou que para que isso ocorra o País precisa seguir o cronograma de investimentos, para que o setor não sofra solução de continuidade.

Dentro dos investimentos planejados está a construção de uma nova Unidade de Lançamento de Foguetes, devido a impossibilidade do CLA ser ampliado. A Agência não indicou o local escolhido, mas vazou a informação de que terá cerca de 20 mil hectares, e ficará na costa Norte-Nordeste, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.

Lançamento

O Centro de Lançamento de Alcântara realizou com sucesso o lançamento de Foguetes de Treinamento Básico - FTB, este mês. A operação, denominada FogTrein I, teve como objetivo treinar equipes dos Centros de Alcântara (MA) e Barreira do Inferno (Natal-RN), recursos operacionais e equipamentos.

Os foguetes, fabricados pela empresa brasileira Avibrás, com tecnologia quase 100% nacional, alcançaram altura máxima de 31.800 metros, atingindo uma velocidade de 4.100 km/h em quatro segundos, caindo após a trajetória em alto-mar a 16 quilômetros da costa.

O Fogtrein I serviu ainda para lançar e rastrear dois foguetes FTB. A operação ainda contou com a participação de engenheiros da Avibrás, da Agência Espacial Brasileira (AEB), do CLBI e do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI).

Apesar dos altos e baixos em termos de prioridade, o pouco investimento às atividades espaciais no Brasil trouxe benefícios dos mais diversos: pesquisas medicamentos, materiais e equipamentos eletrônicos, cartografia utilizando satélite, imagens em tempo real da localização de queimadas e desmatamento, e informações meteorológicas.

Os foguetes são um pilar do programa espacial brasileiro, desde sua criação em 1961. O primeiro deles, um Nike-Apache, decolou em 1965, do Rio Grande do Norte. De lá para cá, centenas de foguetes foram lançados, tanto de Alcântara como de Natal. O Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara surgiu na década de 80, com o objetivo de dotar o País de um local para envio de engenhos espaciais. Sua instalação trouxe, dessa forma, a possibilidade de o Brasil lançar, a partir do próprio território, foguetes de sondagem e veículos lançadores de satélites.

Já a partir de 1994, com a criação da AEB, o País passou a ter um órgão centralizador que motivou a comunidade científica a participar do desenvolvimento de pesquisas na área. A AEB criou então os programas de Microgravidade e Uniespaço, destinados a fomentar projetos de pesquisas de interesse, tanto de universidades, como do setor espacial.


Fonte: Jornal Diário do Nordeste de Fortaleza - primeiro caderno - pág. 12 - 30/08/2009

Comentário: Nada de novo é divulgado por essa matéria do jornal Diário do Nordeste e na verdade é só apresentado notícias mais que batidas e um pequeno historio do programa. Deixando claro para o leitor que não vejo sentido de se fazer comparações entre o PEB e as missões das sondas espaciais indiana e chinesa pra lua, já que o Programa Espacial Brasileiro não tem pretensão nenhuma de realizar esses tipos de missões. O nosso programa é só direcionado para o lançamento de satélites meteorológicos, de sensoriamento remoto, tecnológicos e científicos em orbita terrestre, nada fora dela, ou seja, objetivos muito mais modestos.

O Programa de Lançadores de Satélites do Brasil - Opinião


Olá leitor!

Segue abaixo um artigo (já postado aqui em outra oportunidade) escrito pelo engenheiro elétrico “Victor Magno Gomes de Paula” da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) destacando a história do desenvolvimento das pesquisas de propulsão líquida no Brasil desde os seus primórdios. Chamo a atenção do leitor quanto à ajuda russa nesse desenvolvimento destacada pelo autor e a defesa que o mesmo faz pela opção da parceria com os russos, expondo suas razões em defesa da mesma. Esse artigo aliado com os motivos já defendidos por mim aqui no blog, só vem colaborar com o que venho dizendo durante essa semana quanto ao risco que o PEB esta correndo se os indícios apresentados pela mídia através da entrevista do senhor Roberto Amaral da Alcântara Cyclone Space (ferrenho defensor pelo fim do programa VLS), do senhor Paulo Moraes Jr. (coordenador do Programa de Veículos Lançadores Cruzeiro do Sul do IAE/CTA) ao jornalista André Mileski para a Revista Tecnologia & Defesa e o discurso do deputado maranhense Ribamar Alves que no dia 12/08 na tribuna da Câmara Federal disse para todos os deputados ouvirem claramente que o Programa do Cyclone 4 é visto pelo governo (presidente Lula e o Roberto Amaral) como sendo o principal programa de lançadores do país. O que não deveria ser, já que o mesmo é um apêndice comercial do PEB, não existe transferência de tecnologia nesse acordo com os ucranianos, nem mesmo de um parafuso e o Cyclone 4 não atende as necessidades de lançamento da frota de satélites brasileiros até 2016, já que é um lançador para satélites pesados (tipo o CBERS, algo em torno de 1500 a 2000 quilos), tornado-o uma opção cara e inadequada para esses satélites. Além disso, existe outra corrente dentro do governo que esta pretendendo trazer para essa briga os franceses (Sérgio Rezende e Nélson Jobim) a qual sua inadequação será explicada durante o desenrolar dessa nota.


A Tecnologia de Propulsão Líquida no Brasil


Victor Magno Gomes de Paula
Graduado em Engenharia Elétrica pela UFJF
Membro do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Souza” da UFJF

Victor.magno@engenharia.ufjf.br


Iniciado em 1961 o programa de foguetes brasileiros deu seus primeiros passos quando por decisão dos Centros de Pesquisas ligados à Força Aérea Brasileira (FAB) fundaram no Estado do Rio Grande do Norte, norte do país, a Base de Foguetes de Barreira do Inferno. Inicialmente eram lançados da recém construída Base, foguetes importados dos Estados Unidos e ao mesmo tempo avançavam as pesquisas para a produção nacional destes vetores culminando com a construção poucos anos depois do pequeno e primeiro foguete de sondagem 100% nacional, o Sonda-1, seguidos de seus irmãos maiores Sonda-2, 3 e 4, em um passado recente o VS-30 e o VS-40 e o mais jovem de todos, o VSB-30 usado pelo Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB) e também vendidos e lançados pela ESA européia.

Com base nas tecnologias desenvolvidas para os foguetes da família Sonda com destaque ao maior e mais complexo de todos, o Sonda-4, o Brasil desenvolveu sua tecnologia de propulsão utilizando combustíveis sólidos tipo composite. Tal tipo de combustível foi escolhido para equipar também os motores dos quatros estágios do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), principal projeto do Programa Espacial Brasileiro na área de lançadores.

Foi no desenvolvimento do VLS-1 que os pesquisadores brasileiros notaram que uma tecnologia primordial para os futuros nacionais ainda não era dominada em sua plenitude: a tecnologia de motores foguetes com propulsão líquida.

A pesquisa sobre propulsores a combustível líquido no Brasil iniciou-se na década de 1980, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de São José dos Campos desenvolveu um micropropulsor monopropelente a hidrazina, testado com sucesso em 1984 e se tornando um feito pioneiro na América Latina. Posteriormente, em 1991, o mesmo instituto de pesquisas testou seu primeiro motor-foguete bipropelente.

As pesquisas continuaram, e entre os anos de 1995 e 1996, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), órgão vinculado ao Centro de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em conjunto com o INPE, decidem desenvolver um motor refrigerado a água para estudos básicos para então projetar e construir uma câmara de combustão e injetores de um motor-foguete de 10 kN de empuxo. Os estudos não foram adiante devido a falta de recursos financeiros à época. (Vale notar leitor segundo apurei, que o grupo de engenheiros desse projeto (que foram 20 no total) passaram 2 anos e meio na Rússia (Moscou) estudando propulsão líquida num acordo por debaixo do pano. No entanto por falta de responsabilidade política se gastou dinheiro para a formação deles para que o conhecimento obtido pelos mesmos ao final não fosse utilizado por falta de recursos. Outra cagada política que resultou na perda do conhecimento, pois todos se transferiram ou para iniciativa privada ou para outros programas espaciais de outras nações).

Em 1999 foi criado no IAE/CTA o Grupo de Propulsão Líquida que iniciaram os estudos para a nacionalização do sistema de controle de rolamento do VLS-1 que utiliza motores-foguetes de propulsão líquida de 400 N de empuxo, cuja construção é russa, e iniciado também os estudos para o desenvolvimento do primeiro motor-foguete a querosene e oxigênio líquido. (Lembrando leitor que o protótipo brasileiro desse sistema de rolamento seria testado do terceiro vôo do VLS em 2003, mas aconteceu o acidente. Com o acordo assinado com os russos em 2004 ficou acertado que seria feito um estudo do mesmo visando o seu aperfeiçoamento).

Entre 2000 e 2002 foi projetado e construído um sistema ignitor para motores-foguetes líquidos baseado em ignitor gás-dinâmico.

Com os avanços obtidos, em 2001 o motor-foguete de 400 N para o sistema de rolamento já estava pronto para testes reais em bancos de testes do INPE que simulariam ambientes na atmosfera em espaciais. Todos os testes foram realizados com sucesso entre os anos de 2002 e 2004. (Apesar do acidente em 2003 com o VLS e já com a avaliação feita com os russos após o acidente).

Paralelamente aos outros desenvolvimentos, o IAE iniciou ainda em 2001 os estudos para fabricação de um motor maior de 5 kN de empuxo utilizando querosene e oxigênio líquido que substituiria o quarto estágio do VLS-1. O processo produtivo do motor foi realizado entre os anos de 2003 e 2004. Em 17 de novembro de 2005, o agora chamado “Motor-Foguete a Propelente Líquido de 5 KN (MFPL-5) realizou seu teste “a quente” com sucesso no banco de teste do IAE.

Os animadores resultados obtidos levaram o IAE em parceria com a empresa brasileira “Orbital Engenharia LTDA” a desenvolverem um motor-foguete maior chamado “MFPL-15” que possui um empuxo de 15 kN, com câmara de empuxo do tipo radiativa ou ablativa e empuxo no vácuo. Esse motor já foi testado com sucesso e permitirá que a partir dele se desenvolva o foguete de sondagem mono-estágio recuperável VS-15.

Tanto o “MFPL-5” quanto o “MFPL-15” são motores que possuem seus tanques pressurizados a gás (hélio ou hidrogênio) dispensando o uso de turbobombas. Essa tecnologia é conhecida mundialmente como “pressure-fed cycle”, utilizado, por exemplo, nos motores-foguetes “Kestrel”, último estágio do foguete “Falcon 1” da empresa da empresa privada de lançamento espaciais estadunidense “SpaceX”.

Os próximos passos do projeto são mais ambiciosos. Esta projetado o motor-foguete a propelente líquido “MFPL-75” (ou L-75) que será mais complexo que os motores anteriores descritos.

O “MFPL-75” será movido a oxigênio líquido e querosene, terá 75 kN de empuxo e será provido de turbobomba com câmara de empuxo regenerativa e empuxo no vácuo. Este motor terá características semelhantes ao RD-0109 russo.

Pretende-se com este motor-foguete substituir os estágios 3 e 4 do atual VLS-1, dando origem ao VLS-1B ou na denominação do Programa Cruzeiro do Sul (PCS), VLS-Alfa. Além do “Alfa”, os demais veículos da série de lançadores “Cruzeiro do Sul” (VLS-Beta, Omega, Gama e Epsilon) farão uso do MFPL-75 em conjunto com o maior motor (ainda não projetado) MFPL-1500 (ou L-1500) de 1500 kN de empuxo em diversas configurações. (Vale lembrar Leandro que para o desenvolvimento desse motor L-1500 será necessário um novo banco de provas, que será uma passo natural do acordo com os russos quando assim se tornar necessário. Além disso, não podemos deixar de citar que existe o projeto do motor P36 a combustível sólido (já conversamos sobre o mesmo em outra oportunidade) que não é citado nesse texto, mas que segundo eu soube já estava sendo projetado.)

Baseado em seus mais importantes centros de pesquisas, em parceria com Universidades, nacionais, Indústria e cooperação internacional, o IAE é hoje o principal gestor do processo para a obtenção da tecnologia de propulsores líquidos no país. Para tal, e objetivando ter uma adequada infra-estrutura de testes, através de bancos para experimentos com componentes hidráulicos e injetores, de sistemas pneumáticos, de turbobombas, de motores-foguetes de até 20 kN de empuxo e de motores-foguetes de até 400 kN de empuxo. Dentre a infra-estrutura já instalada é possível citar:

· Banco de Testes em Condições Atmosféricas (Cachoeira Paulista - Estado de São Paulo) que possui condições de ensaiar câmaras com empuxo de até 2000 N, operando tetróxido de nitrogênio e hidrazina e seus derivados (UDMH, MMH2); (em funcionamento)

· Banco de Testes com Simulação de Altitude (Cachoeira Paulista - São Paulo-SP) que possui capacidade para testar motores monopropelentes, em geral hidrazina, até 150 N e, bipropelentes utilizando tetróxido de nitrogênio e MMH, até 200 N; (em funcionamento)

· Banco de Provas para propulsão líquida de 20 kN (IAE/CTA) que possui capacidade de ensaiar câmaras de empuxo, operando com oxigênio líquido e querosene (ou álcool), de até 20 kN de empuxo. (banco de testes já concluído e em funcionamento)

· Recentemente foi contratada a companhia russa “Konstruktorskoe Buro Khimavtomatiky” - OSC KBKhA, com o objetivo de elaborar um complexo de testes e banco de testes para motores-foguetes a propelente líquido de até 400 kN, no valo de 850 mil euros. Esta é uma medida concreta em relação à parceria internacional Brasil-Rússia na área de foguetes com propulsão líquida; (a assinatura do contrato com essa empresa russa ainda não pode ser realizado devido a falta de objetividade dos políticos em homologar o "Acordo de Salvaguardas", só homologado mês passado, com três anos de atraso - o banco de testes deveria esta funcionando desde 2006).

· Banco de ensaios hidráulicos no Laboratório de Propulsão do IAE/CTA para ensaios “a frio” de pressão-vazão, homogeneidade do jato de injetores bipropelentes, razão de mistura, dentre outros testes; (em funcionamento)

· Para teste e desenvolvimento de turbobombas, a proposta do IAE é adaptar seu laboratório de Turbinas que possibilitará a realização de diversos ensaios necessários no desenvolvimento destes sistemas. (não tenho informações se já foi ou não realizada essa adaptação no Laboratório de Turbinas do IAE)

Após anos de pesquisas e desenvolvimento de foguetes utilizando motores de propelente sólido, é fato que a tecnologia dos motores a propelente líquidos nunca foi ignorada por parte das entidades de pesquisas ligadas ao Programa Espacial Brasileiro (PEB). Tal importância se materializa hoje em pesquisas e construções de protótipos, ainda que em nível acadêmico, indicando um caminho inicial a trilhar. O importante apoio de instituições russas por meio de formação de mão-de-obra e transferência de tecnologia também não deve ser esquecido.

É interessante notar que esse tipo de tecnologia nos remete à década de 30 quando foram realizados os primeiros estudos do emprego de propelentes líquidos em foguetes, amadurecendo o conceito nos anos 40 durante a Segunda Guerra Mundial e os foguetes alemães A-4, mais conhecidos como V-2.

A estratégia que hoje se propõe em adotar o IAE/CTA, comprando um projeto russo de motor-foguete e posteriormente o nacionalizando se mostra acertada, principalmente quando tomamos como base os programas espaciais chinês e indiano que foram baseados exatamente nesses moldes, obtendo sucessos relevantes. O uso de um motor-foguete como o RD-0109 russo, mesmo sendo esse projeto empregado nos foguetes da família R-7 soviéticos dos anos 50, pode ser vantajoso para o país, uma vez que os métodos que poderão ser empregados para a fabricação dos componentes destes motores não significariam maiores problemas dada a evolução dos processos industriais presentes no Brasil, possibilitando um desejado aperfeiçoamento desse engenho e assim antecipando etapas que fazem diferença em um programa já bastante atrasado.

O domínio de um processo tão complexo não poderia avançar sem uma base sólida de experimentações e para isso estão sendo instalados bancos de testes para vários sistemas específicos deste sistema. É destacada a participação da indústria nacional neste sentido, provendo tais sistemas quando possível e em parceria com os centros de pesquisas nacionais.

Os passos seguintes marcarão o futuro do PEB. O sucesso do VLS-1B (Alfa no PCS) previsto para 2013, marcará o futuro das pesquisas na área nos próximos anos, e, pelo que se nota a parceria com a Federação Russa não ficará em segundo plano dado o bom histórico de cooperação entre os dois países no setor espacial. Logicamente, sem os devidos aportes de recursos não será possível o cumprimento das metas e prazos previamente estabelecidos. (Parece que o autor do texto já tinha alguma convivência com a classe política e já previa atrasos de recursos que realmente demoraram um pouco, mais não foram o fator preponderante para o atraso do acordo e sim a ingerência política e a inércia do congresso em aprovar o Acordo de Salvaguarda. Em outras palavras amigo leitor, o acordo com a Federação Russa foi sim colocado em segundo plano e o que é pior, agora corre o risco de ser preterido, uma vergonha).

Um programa espacial bem estruturado tem reflexos em diversos setores da sociedade civil. Muitos produtos em uso em nosso cotidiano são frutos de pesquisas realizadas para o setor espacial. No Brasil, além de importantes benefícios civis, não é possível dissociar a contribuição que o desenvolvimento das tecnologias associadas dariam à área de defesa, com novos produtos específicos para o imediato emprego operacional
.

Caso leitor você queira ler o artigo e ter acesso as diversas fotos que constam no mesmo o link é: http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/index.php?option=com_content&task=view&id=1662&Itemid=1 ]

Bom leitor, o que o texto não disse, pelo menos não diretamente, é que no momento existem engenheiros no IAE já especializados em propulsão líquida (apesar da perda do grupo de 20 engenheiros que foi preparado na década de 90 em Moscou), pois após a assinatura do acordo em 2004 vários grupos (se não me engano em grupos de 8 engenheiros) foram enviados a Rússia (alguns já retornaram e outros continuam lá estudando) para justamente estarem preparados para a absorção de tecnologia nessa área. Além disso diversos cursos que foram realizados por especialistas russos (em fevereiro se não me engano foi realizado um no IAE) aqui mesmo no Brasil, já que fica mais barato trazê-los do que manter grupos por longos períodos em Moscou.

Vejamos leitor o porquê de minha discordância do governo em assinar outro acordo no estágio em que o acordo com os russos já se encontra. Além da falta de foco claramente demonstrada pela ação em si, o tempo que se gastaria só para viabilizar a homologação do "Acordo de Salvaguardas" (acordo que orienta qualquer transferência de tecnologia sensível entre países) junto ao Congresso Brasileiro seria de 4 a 5 anos segundo os últimos exemplos. O VLS é um projeto brasileiro (seja com erros ou não é um projeto nacional) que tem utilidade e muita, basta que ele funcione. Além de possibilitar mais rapidamente a conclusão do VLM, parte dele será necessária para a conclusão também (num prazo bem menor) do VLS-1B, extremamente necessário para lançar ao espaço (sem depender do Cyclone 4, que é um foguete caro, ou de uma outra solução estrangeira) a frota de satélites nacionais programada até 2016. Refiro-me ao Amazônia 1, Lattes 1, MAPSAR, GPMBr, Satélite científico II e possivelmente (se acabar o chove e não molha com os argentinos) o Sabia 3, todos baseados na plataforma PMM (satélites de 600 a 800 quilos). O VLS é necessário para suprir a necessidade de vários projetos de satélites universitários, tecnológicos e científicos de institutos de pesquisas, universidades e empresas brasileiras, todos com mais de 100 quilos. O único satélite divulgado até o momento é o ITASAT (provavelmente pela sua ligação com o INPE e com o ITA), e que é provável que seja lançado ao espaço no quarto vôo de qualificação do VLS-1 em 2012. Já o VLM, que é um passo simples de ser alcançado (dependendo de decisão política e de recursos) ainda em 2012 ou no inicio de 2013, servirá também para atender a demanda de projetos de satélites com menos de 100kg, também originária da comunidade científica brasileira.

Como você mesmo pode observar leitor, não faz sentindo algum jogar tudo pro alto agora quando estamos tão perto de atingir nossos objetivos. No entanto, tudo dependerá do funcionamento do VLS-1 o que eu acredito que certamente ocorrerá, já que a empresa russa endossou o projeto após as modificações (que não foram poucas) e pelo simples fato de que a pretensão do mesmo é bem modesta e atende perfeitamente os objetivos para qual foi projetado. No entanto, tudo isso pode ir por água abaixo com uma decisão política desastrosa e danosa (em todos sentidos para o PEB) já agora em setembro com a chegada ao Brasil do presidente da França, visando a assinatura do acordo do submarino nuclear e sabe-se lá o que mais. Infelizmente acho que vem merda por ai. Espero está errado, pois se esse caminho for adotado pelo PEB, estará se dando um passo pra frente e dois pra trás, atrasando ainda mais o programa de lançadores e correndo o risco de em breve perdermos a hegemonia espacial na America Latina.

Duda Falcão

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

IAE Realiza Novos Ensaios do VLS


Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (28/08) no site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) sobre os ensaios de interface da rede pirotécnica do VLS-1 realizados entre os dias 20 e 27 de agosto.

Duda Falcão

Ensaios de Interface da Rede Pirotécnica do VLS-1

28/08/2009

Foram realizados com sucesso os ensaios de interface da rede pirotécnica do VLS-1, em parceria com a empresa PyroAlliance, entre os dias 20 e 27 de agosto. Foram avaliados os Sistemas de Ignição dos Propulsores de Indução de Rolamento (PIR), Sistema de Ignição dos Propulsores Principais e Sistemas de Corte de Separação do 1º estágio e Sistema de Destruição do Veículo. Estiveram envolvidos nestes ensaios as equipes da APE-X, AIE e três representantes da empresa PyroAlliance.


Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Comentário: Boas notícias depois de tanta turbulência essa semana no programa de foguetes lançadores de satélites do IAE, nem tanto em relação ao VLS, mas em relação a seus modelos mais avançados. Espero que o seu cronograma de preparação esteja em dia e que o VLS possa fazer seu primeiro vôo teste (primeiro e segundo estágios ativos) em dezembro de 2010. E vamos torcer para que o acordo com os russos não venha ser trocado loucamente e inrresponsavelmente por um novo acordo com os franceses (já que atrasaria mais ainda os nossos objetivos - Leia-se VLS-1B e talvez o VLM, passo simples de ser alcançado após a finalização do VLS-1) e muito menos pelo o acordo com os ucranianos, que não tem qualquer tipo de transferência tecnológica, nem mesmo de um simples parafuso. Segundo o comentário do companheiro jornalista André Mileski em seu blog "Panorama Espacial" a empresa PyroAlliance pertence o grupo francês SNPE especializada no desenvolvimento e fabricação de sistemas pirotécnicos para os setores aeronáutico, de defesa, industrial e espacial. Essa empresa informa em seu web-site (veja aqui o web-site dessa empresa), que nenhum de seus produtos está sujeito às restrições do ITAR (International Traffic Arms Regulations), dos EUA, certamente uma das razões por ter sido escolhida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) para participar do programa de lançadores brasileiros. Ainda em se tratando de pirotecnia espacial, a empresa francesa Dassault Aviation, fabricante do caça Rafale ofereceu em seu pacote de transferência de tecnologia para a concorrência F-X2, da Força Aerea Brasileira, aplicativos específicos desse tipo de tecnologia (veja mais sobre essa oferta da Dassault aqui). A Dassault fornece os dispositivos pirotécnicos (ignição dos propulsores, separação de estágios e de cargas úteis, e eventual destruição do lançador) usados no lançador europeu Ariane 5. Pois é leitores, enquanto a participação francêsa se restrigir a transferencia de tecnologia para os projetos já existentes como nesse caso, não tenho nada contra. Agora o que eu sou contrário (para que fique bem claro) é se assinar um acordo para a fabricação de um novo lançador para microsatélites, quando já existe um projeto brasileiro praticamente pronto chamado VLM (Veículo Lançador de Microsatélites) que é uma derivação do VLS-1, e que devido a sua configuração simples pode ser atingido praticamente junto com o VLS-1 em 2012. Só dependende de recursos e vontade politica e é ai que mora o perigo. Acontece que se o governo loucamente (não faz sentido, pois existe um bom acordo assinado com os russos já em vigor e com projetos em andamento) optar em assinar um outro acordo agora com os francêses (o mais provável, caso se parta para um novo acordo) teríamos que esperar em média (tem sido assim) 5 anos para que o Acordo de Salvaguardas fosse aprovado pelo Congresso Brasileiro (o acordo com os alemães levou 5 anos, o acordo dos ucrânianos levou 4 anos e o dos russos levou 5 anos, só sendo homologado mês passado, atrassando muito os projetos do VLS-1B e do VLM). O leitor pergunta: Por que não se pode tocar o programa sem a homologação do acordo? É simples, como um acordo desse envolveria tranferencia de tecnologia sensível, nenhuma nação faria isso sem ter garantias de proteção a sua tecnologia. Portanto leitor não faz sentido nenhum qualquer mudança nos rumos ja adotados e caso isso aconteça será um desastre para o PEB e resultará na descofiança de ser realizado por motivos escusos.

Nova Câmara do CBERS 3 Seguirá para Testes na China


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia publicada na Revista FAPESP de agosto sobre a nova câmara desenvolvida pela empresa brasileira Opto Eletrônica para o satélite CBERS 3.

Duda Falcão

Tecnologia Engenharia Aeroespacial

Olhar Brasileiro

Nova câmera de monitoramento feita pela Opto
para o Cbers-3 será testada na China

Dinorah Ereno
Edição Impressa 162 - Agosto 2009



Pesquisa FAPESP - Integrada ao satélite sino-brasileiro de recursos terrestres, a 800 quilômetros de altitude, uma câmera inteiramente desenvolvida e fabricada no Brasil pela empresa Opto Eletrônica, de São Carlos, no interior paulista, vai produzir registros de desmatamentos, da expansão urbana e da agropecuária do solo brasileiro e de outros países, entre outras aplicações, a partir de 2011, data prevista para o lançamento do Cbers-3. No dia 21 de julho, a segunda versão da câmera foi entregue ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para ser encaminhada à China, onde passará por vários ensaios do chamado teste de qualificação. A primeira versão, que ficou pronta em dezembro de 2007 e foi enviada em junho de 2008 para a China, teve que ser totalmente redesenhada depois que os Estados Unidos e outros países fizeram restrições à importação de vários componentes utilizados para a construção do equipamento. O obstáculo no final converteu-se em oportunidade de criação de tecnologia nacional para a fabricação das principais peças utilizadas. Por essa razão, a nova versão recebeu o nome de MUX Free.

“A câmera é a primeira desse tipo e com essa finalidade a ser inteiramente projetada e produzida no Brasil”, diz o engenheiro Mário Stefani, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Opto e coordenador do projeto da câmera multiespectral. O equipamento registra imagens em quatro cores – azul,verde, vermelho e no infravermelho –, em faixas estreitas bem definidas. Enquanto a câmera anterior fabricada pela China e acoplada ao Cbers-2, atualmente em órbita, trabalha com três cores, menos o azul. “A combinação das quatro bandas espectrais permite ver a qualidade de água dos rios, se o solo está exposto ou degradado, se há degradação da vegetação ou ocupação de áreas irregulares. O azul serve principalmente para avaliação de recursos hídricos”, diz Stefani. A câmera brasileira possui quatro linhas de 6 mil pixels, sendo que cada pixel cobre uma área de 20 metros no solo. A faixa de largura imageada, que é a extensão do território visto em uma linha na imagem, é de 120 quilômetros de largura.

O processo para chegar à câmera capaz de suportar o foguete lançador, funcionar no ambiente espacial, em gravidade zero, no vácuo e submetido ao bombardeio contínuo de radiação, compreen­de várias etapas. “Foram feitos dois modelos de engenharia e serão construídos ainda mais um modelo de qualificação e depois os três modelos de voo.” Mas antes de começar a trabalhar no desenvolvimento do projeto a empresa teve que vencer uma licitação internacional, promovida pelo Inpe, em dezembro de 2004. O projeto preliminar da câmera foi apresentado em outubro de 2005 e em dezembro de 2007 foi entregue o primeiro modelo de engenharia, que teve de ser totalmente refeito após o boicote. O novo modelo de engenharia entregue ao Inpe será avaliado em vários ensaios para comprovar a funcionalidade bem como a resistência ao ambiente espacial. Só depois de cumprida essa etapa é feito o modelo de qualificação e depois os modelos de voo, previstos para ficarem prontos em julho de 2010 e que vão integrar a carga útil do satélite Cbers-3 e também o do Cbers-4, previsto para ser lançado em 2014.

A Opto também participa do consórcio para o desenvolvimento de uma segunda câmera que será embarcada nos Satélites Sino-Brasileiros 3 e 4, chamada WFI (sigla em inglês para wide field imager, ou imageador de amplo campo de visada), em parceria com a empresa Equatorial Sistemas, de São José dos Campos, do interior paulista. Nesse projeto a Opto responde pela parte optoeletrônica e a Equatorial pelo processamento e sinal de vídeo, além do controle térmico. A câmera WFI tem ângulo maior de cobertura, porém resolução menor em comparação com a MUX. “A WFI será entregue em outubro para os testes de qualificação”, diz Stefani. Além das duas câmeras produzidas pelas empresas brasileiras, os satélites levarão mais duas, fabricadas pelos chineses. “No total vamos entregar para voo três conjuntos de câmera MUX e WFI, o que totaliza seis câmeras”, diz Stefani. Um deles vai para o Cbers-3, outro para o Cbers-4 e o terceiro conjunto fica como reserva, para substituição no caso de haver qualquer problema. Stefani comanda uma equipe de 56 profissionais que trabalham simultaneamente no desenvolvimento de três câmeras, duas para os Satélites Sino-Brasileiros e uma terceira para o satélite Amazônia-1, chamada AWFI (advanced wide field imager), com resolução espacial de 40 metros e capacidade de imageamento de uma faixa de 780 quilômetros.

Desde a criação da Opto em 1985, pelos professores Milton Ferreira de Souza e Jarbas Caiado de Castro, além de outros quatro pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, a empresa e suas afiliadas foram apoiadas com oito projetos na modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP, que financiaram especialmente estudos nas áreas de aplicação industrial e de equipamentos oftálmicos para uso médico. O primeiro deles, concedido em 1988 para desenvolvimento de um medidor de distâncias longas a laser para uso industrial, foi coordenado por Stefani. O produto ficou pronto dois anos depois, mas não decolou comercialmente. Foram vendidas só oito unidades do medidor, sete para a Vale do Rio Doce e uma para a Firestone. “Apesar do fracasso comercial, o projeto criou para a empresa uma capacidade tanto humana como instrumental, criando uma bagagem tecnológica que resultou no desenvolvimento de um laser para uso em cirurgias de retina muito competitivo”, diz Stefani. Até hoje a empresa fabrica esse laser – um grande sucesso comercial que garantiu à empresa uma posição forte no mercado internacional com as mesmas pessoas, instrumentos e equipamentos utilizados no primeiro projeto financiado pela FAPESP. Atualmente a Opto, que atua nas áreas de equipamentos médicos oftalmológicos, tratamento antirreflexo para lentes, equipamentos de medição e controle, defesa e produtos aeroespaciais, conta com 450 funcionários, 58 dos quais são pesquisadores. O investimento em pesquisa e desenvolvimento é de cerca de 15%, em média, do faturamento, que no ano passado foi de R$ 50 milhões.

Quando as câmeras estiverem no espaço, a Opto vai ajudar o Brasil a fazer parte de um restrito grupo de países que fabricam sistemas de imageamento para uso orbital, composto por Estados Unidos, Rússia, França, Israel, Índia e China. A participação no projeto MUX assim como nos projetos Pipe possibilitou à empresa criar uma infraestrutura de ponta, com máquinas e sala limpa para os testes espaciais. Com isso a Opto pode desenvolver uma segunda geração de retinógrafos, aparelhos que mapeiam a retina, em condições de competir com gigantes internacionais. “O programa espacial funciona como um poderoso aperfeiçoador da capacidade industrial do país, que passa a ser competitivo em áreas importantes”, diz Stefani.

Fotos: Eduardo Cesar


Fonte: Revista Pesquisa FAPESP - núm. 162 - agosto de 2009

Comentário: Parabéns a Opto Eletrônica por demonstrar que tudo feito com seriedade, dedicação e trabalho (mesmo com grandes obstáculos tecnológicos a serem transpostos) sem ingerência política danosa só pode nos levar ao sucesso. Infelizmente não é o que acontece com o nosso programa de foguetes, que se assim continuar, resultará num fracasso sem precedentes na história da astronáutica mundial. Lembre-se leitor que o recorde de acidente com o maior número de mortes já é nosso e a busca de recordes tão sombrios quanto esses são contínuos dentro do PEB. Não sou religioso e nem acredito em deuses, mais se realmente existe algum deus, que ele venha proteger os cientistas, engenheiros e técnicos comandados por esses políticos irresponsáveis.

Vida ém Titã é Possivel, Dizem Cientistas Brasileiros


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje 28/08 no site Inovação Tecnológica destacando segundo cientistas brasileiros a possível existência de vida em Titã, uma das luas do planeta Saturno.

Duda Falcão

Espaço

Vida Pode ser Possível em Lua de Saturno, Dizem Cientistas Brasileiros

Vilma Homero – FAPERJ
28/08/2009


Em visão artística, montanhas e vulcões se erguem na paisagem gelada de Titã.
[Imagem: Chesley Bonestell /Enciclopédia Britânica]

A pergunta sempre excitou a imaginação do homem: há vida em outros planetas além da Terra? Filmes e livros já ofereceram inúmeras versões no campo da ficção. Na área da ciência, uma pesquisa reunindo astrônomos e químicos tem se aproximado mais da realidade ao recriar em laboratório as condições da atmosfera de Titã, uma das luas de Saturno.

No experimento, os pesquisadores identificaram a formação de adenina, uma das quatro bases do DNA. Isso leva à pressuposição de que, sob determinadas circunstâncias, a possibilidade de vida em Titã é bastante real.

Metano no Lugar da Água

Mas, para começar, o que levou os pesquisadores Sérgio Pilling e Diana Andrade, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), unidos a cientistas do Laboratório Nacional de Luz Síncroton e da Universidade de Campinas, a escolherem essa lua de Saturno entre tantos outros planetas?

"Embora Enceladus e Europa - outros dois satélites dos planetas gasosos - abriguem oceanos no subsolo, de todo o sistema solar, Titã é o único ambiente com líquido à superfície, além da Terra. Existe ainda a suspeita de existência de lençóis freáticos abaixo da superfície de Marte. Mas de forma análoga ao ciclo hidrológico na Terra, em Titã, temos o metano fazendo esse papel. Ou seja, há chuva, rios e lagos de metano. Recentemente, a partir de dados da sonda Cassini, foram identificados lagos contendo outro hidrocarboneto, o etano", diz o pesquisador.

Já se sabe também que a lua de Saturno tem nuvens que seguem modelo um climático

Terra Primordial

Com uma atmosfera que combina nitrogênio, metano e certa abundância de material orgânico, dizem os pesquisadores que Titã é, sob certos aspectos, mais parecido com a Terra do que qualquer outro objeto do sistema solar. E isso apesar de temperaturas superficiais baixíssimas, de cerca de 180 graus negativos.

Nele, há vulcões que expelem amônia e metano, lagos de metano e de etano, além de dunas de neve de metano e areia. O que nos parece um ambiente estranho, pode ser bastante similar à Terra em seus primórdios. E entender como a vida pode surgir em Titã nos levará a compreender também o que se passou na Terra depois do Big Bang.

"Em Titã, há algumas hipóteses para a origem do metano, que, em parte, pode ter origem em cometas, ou ser resultado da produção do metabolismo de bactérias, embora isso seja mais difícil devido à baixa temperatura da lua. Materiais ricos em compostos orgânicos, conhecidos como tholins, processados por radiação solar, e descargas elétricas na atmosfera também podem acabar gerando metano", exemplifica o pesquisador.

Experimento de Milley da Era Espacial

A equipe de pesquisadores brasileiros seguiu os passos dos cientistas Stanley Milley e Harols Urey, que, na década de 1950, desenvolveram o experimento que é considerado um marco histórico nas pesquisas a respeito da origem da vida, a Sopa Orgânica.

Ao disparar descargas elétricas sobre uma mistura de hidrogênio, água, amônia e metano, com que procuravam simular condições semelhantes à atmosfera primitiva da Terra, Milley e Urey conseguiram fazer surgir espontaneamente dois aminoácidos indispensáveis à vida: a glicina e a alanina.

Bombardeio

Na experiência atual, a equipe usou o Laboratório Nacional de Luz Síncroton, em Campinas, para simular o efeito da radiação solar na faixa dos raios X na atmosfera de Titã. "Durante três dias, bombardeamos uma mistura de nitrogênio, metano (cerca de 5%) e um pouco de água com raios X e ultravioleta, que são radiações eletromagnéticas que estão em toda a parte nos céus. Esse "bombardeio" seria uma forma de simular a radiação que Titã teria recebido do Sol durante 7 milhões de anos."

As análises durante o experimento (cromatografia e ressonância magnética nuclear) mostraram a formação de diversas moléculas orgânicas, mas acrescentando um calor extra à combinação, o resultado mudou: surgiu a adenina, que foi identificada a partir de técnicas sofisticadas de análises químicas realizadas na Unicamp.

"A adenina é parte do DNA, que é fundamental no processo de multiplicação celular. E qualquer forma de vida, da mais simples à mais complexa, só existe a partir de material genético", diz Pilling. E acrescenta: "Conseguimos reproduzir moléculas essenciais a sistemas biológicos."

Novos Passos

Mas o trabalho continua. Desde a publicação de artigo sobre o experimento na revista New Scientist, os pesquisadores não pararam. "As sondas que viajam ao espaço todos os dias nos trazem novos dados sobre Titã. Agora, estamos procurando repetir a experiência com algumas variantes e, para tanto, estamos contando com o apoio da FAPERJ. Uma dessas variantes, por exemplo, será introduzir um pouco de etano, além de utilizar outros agentes ionizantes, como íons rápidos simulando partículas do vento solar. Agora, vamos ver o que acontece", conclui Pilling.


Fonte: Site Inovação Tecnológica

Comentário: É gratificante perceber que pelo menos a astronomia e pesquisas relacionadas à mesma estão em franco desenvolvimento em nosso país. Infelizmente o PEB padece da interferência política atrasando seu desenvolvimento em anos, o que sinceramente é desmotivador. Dias atrás a Correia do Sul lançou seu satélite no espaço em cooperação com os russos. Para que o leitor possa ter uma idéia, o acordo entre os coreanos e os russos foi assinado em 2003 e em sete anos, partindo do quase zero em conhecimento de foguetes os coreanos entraram para o clube dos países capazes de lançar satélites no espaço. Estamos nessa luta a mais de 30 anos e na iminência de jogar tudo pro alto. Uma vergonha sem se levar em conta os prováveis interesses que estão levando o PEB a um fim melancólico em detrimento a acordos danosos a tecnologia nacional motivados provavelmente por interesses escusos.

INPE Inaugura Novo Centro Tecnológico na Amazônia


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada dia 27/08 no site da Agência Espacial Brasileira (AEB) destacando a inauguração pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) nesta sexta-feira dia 28/08 (hoje) do Centro Regional da Amazônia (CRA) em Belém - AM.

Duda Falcão


Notícias

INPE Inaugura em Belém o Centro Regional da Amazônia (CRA)

Inpe
27/08/2009


Nesta sexta-feira (28/8), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(INPE) inaugura em Belém o Centro Regional da Amazônia (CRA) e já apresenta resultados de seu primeiro projeto: o mapeamento da vegetação secundária.

Na nova unidade do INPE estão em andamento os trabalhos para o mapeamento completo da cobertura e do uso da terra na Amazônia, verificando, inclusive, a ocorrência de regeneração florestal. Quando concluído, este mapa irá indicar se existem hoje florestas secundárias ou atividade agropecuária, por exemplo, em áreas apontadas no passado como desmatamento pelo INPE, que monitora a região há 21 anos por meio de imagens de satélites.

Para os estados do Pará, Mato Grosso e Amapá, o CRA já concluiu o mapeamento da vegetação secundária, que estará completo para toda a Amazônia Legal até o final do ano.

O CRA/INPE deverá se tornar um centro internacional de difusão de tecnologia de monitoramento por satélite de florestas tropicais. Também é seu objetivo aprimorar o conhecimento em geotecnologias na Amazônia, ao mesmo tempo em que apoia atividades de campo e de mapeamento realizadas pelo INPE na região.

A partir da geração de sistemas de monitoramento de florestas, o CRA tem ainda papel importante nos planos de cooperação internacional do INPE, em especial com a África. Em comum acordo com a China, o Brasil ofereceu as imagens do satélite sino-brasileiro CBERS para todo o continente africano, enquanto o sistema para o monitoramento de florestas desenvolvido pelo INPE, denominado TerraAmazon, também está à disposição de todos os países interessados na tecnologia.

Cerimônia de Posse

O chefe do CRA, Cláudio Almeida, será empossado durante a solenidade presidida pelo diretor-geral do INPE, Gilberto Câmara, nesta sexta-feira (28) às 10 horas. Também estarão presentes em Belém o coordenador de Centros Regionais e vice-diretor, João Braga, entre outros dirigentes e cientistas do INPE e de instituições da Amazônia, além de autoridades regionais.

Cláudio Almeida é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e mestre em Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento pelo INPE. Um dos projetos em curso no CRA é derivado de sua dissertação de mestrado, intitulada “Estimativa da área e do tempo de permanência da vegetação secundária na Amazônia Legal Brasileira por meio de imagens LANDSAT/TM”. Desde 1992, atua nas áreas de Mapeamento, Banco de Dados Geográficos, Sistemas de Informações Geográficas, Ecologia e Sensoriamento Remoto na Região Amazônica.

A solenidade será realizada no prédio da administração da Embrapa Amazônia Oriental, na Travessa Dr. Enéas Pinheiro, S/N, Belém. Até estar pronto o prédio próprio, o que deve ocorrer no próximo ano, o CRA/INPE ocupa um imóvel nas dependências da Embrapa.


Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: Parabéns ao INPE pelo trabalho que vem sendo desenvolvido na Amazônia e pela inauguração desse centro de pesquisas que certamente será muito útil para as pesquisas na Amazônia.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Programa Uniespaco da AEB


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje 27/08 no site da Agência Espacial Brasileira (AEB) informando o fim do prazo dia 10 de setembro para que pesquisadores de universidades e de instituições de ensino apresentem propostas de projetos de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico para o Programa Uniespaço.

Duda Falcão

Notícias

Prazo para o Uniespaço Termina no dia 10 de Setembro

Coordenação de Comunicação Social / CCS
27/08/2009


Termina no dia 10 de setembro o prazo para que pesquisadores de universidades e de instituições de ensino apresentem propostas de projetos de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico para o Programa Uniespaço, da Agência Espacial Brasileira (AEB). Os projetos deverão seguir o modelo disponível no site da AEB (www.aeb.gov.br), no link Uniespaço/Anúncio de Oportunidades. Nesta terceira edição serão disponibilizados recursos que totalizam R$ 3 milhões de reais por dois anos. Os projetos serão escolhidos de acordo com sua relevância, competência e capacidade de execução.

O Programa Uniespaço, criado em 1997, tem como objetivo integrar o setor universitário no desenvolvimento de produtos e processos, análises e estudos de interesse do setor espacial. Entre as instituições que já desenvolveram projetos específicos para o Programa Uniespaço estão a PUC/RS, o ITA, a UnB, a UFRJ, a UFPR, a USP, a UFRN e a UFMG. Desde 2004, o Uniespaço já contemplou 32 projetos.


Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

MCT Abre Inscrições para Seleção do Novo Diretor do INPE


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje 26/08 no site da Agencia FAPESP destacando o inicio do processo de seleção de candidatos ao cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Duda Falcão


Notícias

INPE Tem Seleção para Diretor

26/08/2009

Agência FAPESP – O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) está iniciando processo para seleção de candidatos ao cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a ser realizado por um comitê de especialistas nomeado recentemente pelo ministro Sergio Rezende.

Segundo o MCT, esse sistema de escolha de dirigentes vem sendo praticado para os cargos de direção de todas as suas unidades de pesquisa. A seleção, que dá origem a uma lista tríplice encaminhada ao ministro, é sempre realizada por comitês de especialistas, que buscam identificar, nas comunidades científica, tecnológica e empresarial, nomes que se identifiquem com as diretrizes técnicas e político-administrativas estabelecidas para cada instituição.

O comitê para o Inpe, presidido por Marco Antônio Raupp (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), tem como membros Alberto Passos Guimarães (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), Carlos Henrique de Brito Cruz (FAPESP), Hadil Fontes da Rocha Vianna (ministro das Relações Exteriores) e Michal Gartenkraut (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron).

Poderão se candidatar ao cargo quaisquer pesquisadores ou tecnologistas brasileiros ou naturalizados. O candidato selecionado deverá ser capaz de demonstrar:

· competência profissional reconhecida;
· visibilidade junto à comunidade científica e tecnológica;
· experiência administrativa e capacidade de promover a agregação dos funcionários em torno dos objetivos institucionais do Inpe, levando-se em
· consideração a diversidade de áreas de atuação do instituto;
· visão de futuro para a instituição e empenho no desenvolvimento integrado científico e tecnológico do país;
· capacidade para tratar de forma bem-sucedida problemas e desafios políticos relacionados com o Inpe;
· capacidade demonstrada de gestão, envolvendo atividades internas e externas de relacionamento com órgãos de financiamento e de governo;
· comprometimento com a execução do plano diretor do Inpe 2007-2011 e com o plano de ações 2007-2010 do MCT e com os que vierem a substituí-los;
· comprometimento com a elevação contínua da qualidade das atividades em tecnologia, ciência e educação realizadas no Inpe;
· motivação para enfrentar novos desafios.

Os documentos para candidatura ao cargo devem ser enviados até o dia 30 de setembro de 2009, em papel e via eletrônica, para o endereço abaixo, abrangendo carta solicitando inscrição da candidatura, curriculum vitae, incluindo produção científica e/ou tecnológica, e texto de até cinco páginas, descrevendo sua visão de futuro para o Inpe e aderência do seu projeto de gestão com o plano diretor do instituto.

Dr. Marco Antônio Raupp
Parque Tecnológico de São José dos Campos
Via Presidente Dutra, km 138 – Bairro Eugênio de Melo
12247-044 – São José dos Campos

· Endereço Eletrônico: mraupp@lncc.br

O processo seletivo, além da avaliação dos documentos solicitados, incluirá apresentação pública de seu plano de gestão para o Inpe e entrevista privada dos candidatos com o comitê de busca, em local, data e hora a serem previamente anunciados pelo comitê


Fonte: Site da Agência FAPESP

Comentário: É muito bom que o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) demonstre preocupação na escolha do dirigente para o cargo de direção do INPE utilizando os critérios citados na nota, no entanto não adianta nada ter um bom diretor e dedicado ao cargo em questão se as decisões do MCT/AEB continuarem sendo políticas e sem sentido em detrimento de objetivos científicos e tecnológicos claros e bem definidos.

Guarujá Lança Programa em Ciência e Tecnologia


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada dia 24/08 no site boqnews.com sobre o lançamento do programa municipal PROCIENTEC (Programa de Ciências e Tecnologia) da cidade do Guarujá-SP, que é direcionado a estudantes 5º ao 9º ano da rede municipal de ensino do município.

Duda Falcão

Guarujá

Cidade Terá Programa de Ciência e Tecnologia

O lançamento do programa municipal, que será direcionado a estudantes do 5º ao 9º ano, contou com a presença do astronauta Marcos Pontes

Da Redação,
com informações da Assecom
24/08/2009


O astronauta Marcos Pontes esteve em Guarujá na manhã de sexta-feira (21) participando do lançamento do Programa de Ciências e Tecnologia (Procientec) de Guarujá. A iniciativa será direcionada a estudantes 5º ao 9º ano da rede municipal de ensino, beneficiando 11 mil alunos.

Na oportunidade, o astronauta ministrou palestra para um público formado em sua maioria por estudantes no Teatro Procópio Ferreira, para estimular os jovens a alcançar seus objetivos. Marcos Pontes, que é visto como exemplo na área cientifica, abordou temas como: Educação, Trabalho e Persistência. “Sonhe, trabalhe e acredite. E não deixe que ninguém faça vocês desistirem dos seus objetivos seja em qualquer carreira que vocês escolherem seguir”. Ele ainda aconselhou: “estudem muito, seja ciências tecnológicas, exatas, biológicas ou humanas, porque todas as áreas estão interligadas”.

Procientec

O Procintec contará com um Planetário Itinerante, disponibilizado pela Secretaria de Educação (Seduc), a fim de despertar nos alunos o interesse em temas ligados à Astronomia e Ciências. Os estudantes também serão contemplados com visitas ao Heureka Exploration, o mais moderno parque interativo e temático de ciências e tecnologia do Brasil.

A prefeita Antonieta ressaltou que “se queremos transformar pela educação, teremos que dá ferramentas para isso. É o que estaremos fazendo com a implantação do projeto”. Antonieta ressaltou ainda que no próximo ano Guarujá realizará a I Olimpíada Municipal de Robótica e ainda este semestre haverá a implantação do planetário móvel para todas as escolas da rede municipal, trabalhando com crianças da 6ª série. “Esse público será o foco do programa que tem como objetivo estimular as crianças através da ciência e do conhecimento”, completou Maria Antonieta.

Lego nas Comunidades

Ainda durante o evento, o diretor de operações da Fundação FIRST, Arnaldo Ortis Clemente, anunciou um investimento de R$ 150 mil que serão investidos em material pedagógico e capacitação profissional. A iniciativa será implantada em cinco núcleos de comunidades que vivem em situação de vulnerabilidade através de entidades sociais.

Para a secretária de Educação, Priscilla Bonini, a explosão tecnológica na qual a humanidade vive não pode privar ninguém desse tipo de conhecimento. “Vivemos em um período totalmente moderno. Por isso, não vamos medir esforços para possibilitar aos jovens o acesso à tecnologia. Estaremos, através dos projetos, desenvolvendo e incentivando os estudantes a pôr em pratica suas idéias e imaginação”.


Fonte: Site boqnews.com

Comentário: Fico muito satisfeito de visualizar que pelo menos nessa área educacional direcionada em estimular o interesse de nossas crianças (nossa divisão de base) em ciência e tecnologia esta em franco desenvolvimento no país. Graças em parte do esforço do astronauta Marcos Pontes que demonstra com isso a visão que falta às chamadas “otoridades” que deveriam comandar e administrar o Programa Espacial e não o fazem com deveriam. Parabéns a prefeitura do Guarujá pela iniciativa e ao astronauta Marcos Pontes pela sua luta constante em prol da educação.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Convênio Espacial Entre a NASA e AEB - Mais Informações


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje (24/08) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com maiores informações sobre a renovação do convênio de Geodésia Espacial entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a NASA.

Duda Falcão

Renovado Convênio com a NASA na Área de Geodésia Espacial

24/08/2009

Por meio da Agência Espacial Brasileira (AEB), a Nasa acaba de renovar por mais cinco anos o convênio do Programa de Geodésia Espacial mantido entre os Estados Unidos e o Brasil. Segundo o professor e coordenador do Centro de Radioastronomia e Astrofísica da Universidade Mackenzie (CRAAM), Pierre Kaufmann, a renovação é uma consequência da qualidade dos resultados obtidos no Rádio Observatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) , situado na cidade de Eusébio, no Ceará.

O Programa de Geodésia Espacial é resultado da parceria entre o INPE e o Mackenzie.

O observatório de Eusébio – que funciona desde 1993 -, juntamente com uma rede mundial de radiotelescópios, é responsável por detectar irregularidades na rotação da Terra. Esta atividade serve para realizar pequenos ajustes nas órbitas dos satélites.

Pierre Kaufmann explica que sem esses ajustes de órbitas os satélites da constelação GPS poderiam fornecer informações incorretas. “Ao redor do mundo essas mudanças geodésicas são processadas e os modelos que descrevem as órbitas dos satélites são refeitos”, diz o coordenador do CRAAM/INPE.

Essas anomalias geofísicas da Terra são decorrentes de atividades vulcânicas e sísmicas, tsunamis e até do fenômeno climático El Niño. Kaufmann adianta que existe um esforço mundial para que essas medidas de irregularidades da rotação da Terra também possam ser usadas para a previsão de catástrofes naturais como terremotos.

Rádio Observatório

Situado em Eusébio, próximo a Fortaleza, o Rádio Observatório Espacial do Nordeste (ROEN) integra redes internacionais e apoia programas brasileiros de geodésia, cartografia e navegação fazendo uso de técnicas espaciais. O sistema consiste de uma grande antena de 14,2 metros de diâmetro, dotada da mais moderna e sofisticada instrumentação eletrônica para operar em programas de Geodésia Espacial.

A tecnologia utilizada é rádioastronômica. Os quasares, situados a bilhões de anos-luz de distância, constituem fontes de rádio de referência. Com dois ou mais rádio-telescópios de uma rede observando simultaneamente, obtêm-se a interferência das ondas de rádio. A observação destes objetos ou "balisas" celestes por vários rádio-telescópios de uma rede de milhares de quilômetros permite a determinação de posições absolutas na superfície da Terra, com precisão inferior a um centímetro. Dadas as grandes distâncias que separam os terminais desta rede, denomina-se o método de VLBI (de "very long baseline interferometry": interferometria de muito longa linha de base).

O programa global de geodésia espacial, fazendo uso de VLBI, é essencial para várias aplicações modernas em cartografia, navegação e geodésia de precisão, bem como para programas de pesquisas envolvendo irregularidades da rotação da Terra, geodinâmica, movimento de placas tectônicas e sismologia, e avaliação quantitativa de mudanças globais do planeta.

São exemplos de aplicações do ROEN: suporte a serviços de cartografia, geodésia, navegação (que fazem uso da constelação de satélites GPS, cujos elementos orbitais são o tempo todo corrigidos a partir dos terminais de VLBI), navegação de sondas espaciais, orbitografia de satélites artificiais e disseminação de hora certa absoluta.

O monitoramento realizado a partir da rede de VLBI geodésico pretende investigar os movimentos plásticos do planeta, provocados por deriva dos continentes, movimentos de placas tectônicas com pesquisa sobre previsão de terremotos. As irregularidades do movimento de rotação da Terra são medidas por VLBI com precisão 100 vezes melhor do que métodos ópticos tradicionais. Com isso descobriu-se existir estreita associação entre determinados fenômenos meteorológicos globais de grande escala (como o El Niño).

Através do suporte de VLBI geodésico, é possível calibrar posições geodésicas absolutas de medidores de marés oceânicas para assim avaliar, no curso de pelo menos 10 anos, um eventual aumento do nível do mar que seria provocado pelo derretimento do gelo nas calotas polares do planeta.

Entre as unidades periféricas do ROEN, destacam-se padrões atômicos maser de hidrogênio, os mais precisos do mundo, receptores de elevada sensibilidade operando a baixíssimas temperaturas (receptores criogênicos) e sistema de aquisição de dados MARK III com capacidade de processamento superior a 100 Mbit/s.

O ROEN integra as instalações do Centro Regional do Nordeste do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CRN/INPE).

(Com informações da Coordenação de Comunicação Social da AEB)


Rádio Observatório Espacial do Nordeste (ROEN)

Rádio Observatório Espacial do Nordeste (ROEN)


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)