domingo, 3 de maio de 2009

Programa Cruzeiro do Sul


Este programa baseia-se no desenvolvimento de uma família de cinco novos veículos lançadores de satélites visando atender as missões do PNAE - Programa Nacional de Atividades Espaciais e de missões internacionais, tanto em termos de porte dos satélites como em termos de altitude e de inclinação de órbita.

Tendo um desenvolvimento previsto da ordem de 17 anos, este programa se encerrará no ano da comemoração do Bicentenário da Independência do Brasil em 2022. Sendo o seu grande objetivo atender as necessidades do Programa Espacial na área de transporte para as próximas décadas.

Comenta-se que o acordo de "Proteção Mútua de Tecnologia Associada à Cooperação na Exploração e Uso do Espaço Exterior para Fins Pacíficos" assinado em dezembro de 2006 entre o Brasil e a Rússia (que encontra-se ainda em tramitação pelo congresso), contemplaria o desenvolvimento conjunto dos motores a propelente líquido necessários para a realização desse programa.


Familia de Foguetes do Programa Cruzeiro do Sul


A família de veículos do Programa será constituída pelos seguintes lançadores, denominados segundo as estrelas do Cruzeiro do Sul:

VLS ALFA: concebido para atender o requisito de transporte de cargas úteis na faixa de 200-400 kg a órbitas equatoriais baixas.

VLS BETA: concebido para ser capaz de atender às missões de transporte de 800 kg para uma órbita equatorial de 800 km de altitude.

VLS GAMA: concebido para dar-se um passo na direção da colocação de cargas úteis de grande porte em órbitas helio síncronas. Ele terá capacidade de colocar cerca de 1000 kg em uma órbita polar de 800 km.

VLS DELTA: concebido visando à exploração de missões geoestacionárias. Ele estará habilitado a colocar cerca de 2000 kg em uma órbita de transferência geoestacionária (GTO).

VLS EPSILON: concebido para atender as necessidades atuais previstas para o SGB – Satélite Geoestacionário Brasileiro, ou a de inserção de uma carga útil de 4000 kg em GTO, concluindo o Programa.

Pelo ponto de vista da consistência das soluções tecnológicas apresentadas, esse programa pressupõe inicialmente a introdução de um motor a propulsão líquida de 7,5 toneladas de empuxo a ser desenvolvido conjuntamente com uma nação estrangeira para ser usado sobre uma base constituída pelos estágios inferiores do atual VLS, que seria denominado de VLS ALFA.

Seguindo um planejamento de desenvolvimento gradual do programa, o próximo passo será a introdução de um segundo estágio a propulsão líquida, com empuxo de cerca de 30 toneladas, a partir da configuração anterior, e de um propulsor a propulsão sólida com 40 totenalas de propelente.

Com esse passo o veículo VLS BETA seria configurado com o propulsor sólido de 40 toneladas, em seu primeiro estágio e, uma parte alta composta por um motor a propulsão líquida de 30 toneladas de empuxo e outro motor a propulsão líquida de 7,5 toneladas de empuxo.

O próximo passo será a consolidação no veículo VLS GAMA, substituindo o estágio inferior a propelente sólido por um estágio a propelente líquido de 150 toneladas de empuxo. Os estágios superiores seriam os mesmos do VLS BETA, alterando-se apenas as quantidades de combustível e de oxidante nos tanques para permitir o atendimento da missão.

O modelo seguinte proposto prosseguirá com a junção de dois propulsores sólidos de 40 toneladas de propelente ao núcleo de três motores líquidos em configuração tandem já desenvolvida, definindo assim o veículo VLS DELTA.

A última etapa do programa, caracterizada pelo veículo VLS EPSILON, compreenderá a substituição dos dois boosters a propelente sólido por dois boosters a propelente líquido de 150 toneladas de empuxo. Os boosters líquidos empregariam a solução tecnológica já adotada para o motor de primeiro estágio nos veículos VLS GAMA e VLS DELTA.

Segundo o CTA - Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial as soluções tecnológicas propostas são fruto de intensas discussões e resultado de inúmeras simulações. O programa e os veículos que dele fazem parte permitirão um desenvolvimento evolutivo através do acréscimo de novos estágios e boosters, e poderá ser desenvolvido a um custo relativamente baixo.

Duda Falcão

Comentário: Sinceramente devido ao atual estagio em que se encontra o Programa Espacial Brasileiro acho muito difícil que esse programa seja concluído integralmente no prazo estabelecido. Para que isso fosse realizado seria necessário um enorme esforço conjunto não só tecnológico e político/financeiro, mas principalmente de planejamento. Algo parecido ao desafio que Kennedy fez a NASA no início da década de 60 com o Projeto Apollo, que envolveu não só a Agencia Espacial, mas toda a sociedade americana numa corrida que eles sabiam que venceriam pela competência e objetividade aplicada por todos. Convenhamos que, com os indicadores hoje reinantes dentro do Programa Espacial Brasileiro essa possibilidade se torna inexeqüível. No entanto, com o possível envolvimento dos russos, eu acredito que alguns gols tecnológicos serão alcançados com esse programa.

2 comentários:

  1. imaginei naquele estágio superior do vls epsilon uma soyus rs , seria meu desejo de ver um modelo da nave soyus brasileiro ? ( fruto provável de uma parceria russa ou sino-brasileira )é uma teoria minha. ( risos) mas mudando de assunto 4000 kg para GTO seria mais ou menos quantas toneladas para LEO ? ( low earth orbit )

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  2. Olá Anônimo!

    Sonhar não faz mal e o sonho é o combustível dos realizadores. Entretanto, no caso do Brasil, devido ao governo que temos, esse seu sonho está mais para ficção científica. Normalmente em orbita LEO são lançados satélites de sensoriamento remoto (como os novos satélites do Programa CBERS - CBERS 3 e 4) que em média variam entre 2000 e 2500kg, tá ok?

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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